Líderes negros pedem novas ações contra restrição ao voto

Celebração de 50 anos de marcha no Alabama é marcada por críticas a Estados que dificultam votos da minoria

SELMA, ALABAMA, O Estado de S.Paulo

09 Março 2015 | 02h02

As cerimônias que marcaram os 50 anos da Marcha de Selma a Montgomery, no Alabama, foram um chamado à ação contra recentes restrições ao direito de voto, uma reação à violência policial que atinge os negros de maneira desproporcional e uma defesa de novas formas de direitos civis, que beneficiem gays e imigrantes.

Um dia depois de o presidente americano, Barack Obama, discursar na frente da ponte Edmund Pettus, que simboliza a conquista do direito de voto pelos negros, o primeiro secretario de Justiça afro-americano do país, Eric Holder, disse que livre acesso às urnas está sob ataque em algumas regiões dos EUA.

Segundo ele, depois da eleição de Obama, em 2008, vários Estados tentaram impor regras e leis que restringem as oportunidades de voto e atingem de maneira desproporcional "as comunidades de cor". Esse movimento ganhou força em 2013, quando a Suprema Corte derrubou uma parte essencial da Lei do Direito de Voto, de 1965, que obrigava os Estados do Sul a pedirem aprovação do governo federal para mudanças na legislação eleitoral - que é estadual.

Ecoando o sentimento de muitos dos que participaram das celebrações do fim de semana, Holder afirmou que serão necessárias novas marchas para a conquista de equidade nos EUA. "Nós continuaremos a marchar na direção daquele horizonte brilhante, para o dia em que todos os americanos - jovem ou velho, rico ou pobre, famoso ou desconhecido; não importa quem eles sejam, de onde eles vêm, como eles se parecem ou quem eles amam- tenham a sua parte no sonho americano", declarou o secretário em discurso na Capela Brown, que era o quartel-general dos organizadores da marcha de 1965.

Martin Luther King III, filho do principal líder do movimento pelos direitos civis, disse que não estava em um espírito de celebração. "Estou preocupado com o fato de que a Lei dos Direitos Civis está sendo dizimada."

Com a decisão da Suprema Corte, Estados começaram a impor requerimentos que nem sempre podem ser atendidos pelos mais pobres. Entre eles, a exigência de documento com foto, em um país que não possui cédula de identidade nacional.

A identificação mais comum é a carteira de motorista, que chega a custar quase US$ 50 e é requerida por quem tem carro e sabe dirigir. Para tirar o caráter restritivo da exigência, King III defendeu que o documento de seguridade social passe a conter foto. Ele também propôs a mudança do dia da eleição - uma terça-feira - para o domingo, o que ampliaria as possibilidade de voto para os que trabalham.

O reverendo Al Sharpton disse que a versão contemporânea da intolerância do Alabama de 50 anos atrás se manifesta na homofobia e na negação de direitos aos imigrantes. "Você não pode lutar por seus direitos se não lutar pelos direitos de todos", afirmou. Ele também pediu uma maior pressão pelo livre exercício do voto. / C.T.

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