Liga Árabe quer cortar contatos políticos com Israel

Nove representantes de países árabes recomendaram hoje interromper todos os contatos com Israel até que o estado judeu cesse suas ações militares contra os palestinos, o anúncio foi realizado após uma reunião de emergência da Liga Árabe realizada na capital do Egito. A declaração incita o "corte de todas as comunicações políticas árabes na medida em que continue a agressão persistente contra o povo palestino e sua autoridade nacional". Os representantes dos países árabes também pediram uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU "para discutir a grave situação dos territórios palestinos". A reação política de Israel foi imediata. Um porta-voz do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, disse que a decisão da Liga Árabe não solicitava que Yasser Arafat parasse a violência, mas dava ao líder palestino um "prêmio" por suas ações. "Esta não é uma decisão, é propaganda", disse o porta-voz, Raanan Gissin. Os árabes, segundo ele, "precisam de paz? exatamente como os israelenses. ?Com quem eles vão falar? Uns com os outros?", questionou. Ele acrescentou que a decisão da Liga Árabe "irá voltar-se? contra os próprios". A recomendação de cortar os contatos políticos com Israel teve o apoio do secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, que passou anos servindo de mediador entre israelenses e palestinos como ministro de Relações Exteriores do Egito, e o ministro de Relações Exteriores da Jordânia, Abdul-Illah Khatib. A Jordânia e o Egito são os únicos países árabes que têm um acordo de paz assinado com Israel. Ambos os países vinham trabalhando para uma solução diplomática para a recente escalada da violência, iniciada em setembro do ano passado. "Nossa intenção não é falar de propostas de paz enquanto vemos que o governo de Israel não quer isso de verdade", disse Moussa. "Os ataques contra os palestinos terão de parar, de outra forma iremos agir sob a mira de uma arma, o que rejeitamos absolutamente", acrescentou. Khatib disse que o "movimento reflete a inutilidade dos contatos políticos que não sucederam no cessar da violência e no alívio do cerco contra o povo palestino". A declaração da Liga Árabe ainda criticou o governo de Israel pela sua relutância de aceitar as propostas de cessar-fogo, incluindo uma iniciativa realizada pelos governos da Jordânia e Egito. Antes de retornar à Faixa de Gaza, o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, disse que a posição da Liga "reflete a solidariedade e o apoio árabe" para com os palestinos após o ataque de caças F-16, ontem, e de helicópteros Apache, hoje, contra territórios palestinos. Pela manhã, antes do início da reunião, Arafat acusou Israel de praticar "terrorismo de Estado" e declarou que "o povo palestino não cederá nem um milímetro" em sua reivindicação de proclamar um Estado independente, com Jerusalém Oriental como capital. "Aviões militares atacam nossas cidades, mas continuaremos juntos no mesmo caminho até que possamos orar na mesquita de Al-Aqsa (em Jerusalém Oriental)", disse o líder palestino. Arafat disse que o aumento da ofensiva militar dos israelenses contra as áreas palestinas deixaram "enormes danos", com um prejuízo financeiro superior a US$ 5 bilhões. O comitê da Liga Árabe solicitou que Moussa assegure uma ajuda financeira imediata à AP e pediu doações públicas a uma conta bancária sob supervisão da instituição. Durante o encontro, Moussa descreveu as recentes ações de Israel como "assassinato sistemático de palestinos com o objetivo de exterminá-los". Ele disse que a política de Israel "tem com objetivo submeter os palestinos. A resistência e a intifada continuarão qualquer que seja o preço", disse Moussa. "Não podemos, sob qualquer circunstância aceitar uma paz israelense", acrescentou. Os países árabes que participaram da reunião de emergência da Liga foram: Bahrain, Egito, Jordânia, Líbano, Marrocos, Tunísia, Arábia Saudita, Síria e Yêmen.

Agencia Estado,

19 Maio 2001 | 18h27

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