AFP PHOTO / ECPAD AND AFP PHOTO
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‘Linha vermelha’ foi reposta, diz França

Macron faz referência direta à inação de governos de Obama, Hollande e Cameron, que decidiram não lançar ataques contra a Síria

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2018 | 05h20

PARIS - Os ataques na madrugada de sábado a instalações da cadeia de produção de armas químicas da Síria restabelecem a “linha vermelha” fixada pelos governos de Estados Unidos, França e Reino Unido, e desrespeitada pelo regime de Bashar Assad. A afirmação foi feita pelo presidente francês, Emmanuel Macron, em sua justificativa para os ataques aéreos.

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A afirmação é uma referência a ameaças feitas pelos ex-presidentes Barack Obama e François Hollande e ao ex-premiê britânico David Cameron. Todos haviam advertido que ataques químicos seriam objeto de retaliação, mas a resposta militar nunca aconteceu.

“Os fatos e a responsabilidade do regime sírio não deixam dúvidas”, disse Macron, em referência ao uso de armas químicas no conflito. “Logo eu ordenei às Forças Armadas francesas que interviessem nessa noite, no quadro de uma operação internacional conduzida em coalizão com os Estados Unidos e o Reino Unido e dirigido contra o arsenal químico clandestino do regime”, explicou o chefe de Estado.

“A linha vermelha fixada pela França em maio de 2017 foi ultrapassada”, frisou o presidente francês. 

De acordo com o Palácio do Eliseu, os próximos objetivos são terminar a luta contra o Estado Islâmico, garantir o acesso de ajuda humanitária às populações civis e buscar uma saída diplomática para o conflito.

Macron conversou com Putin antes do ataque

Em declaração conjunta à imprensa, os ministros da Defesa, Florence Parly, e das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, detalharam as operações, realizadas a partir de fragatas e de aviões de caça Mirage 2000 e Rafale contra “alvos múltiplos” “circunscritos às capacidades do regime sírio que permitem a produção e o emprego de armas químicas”. “Não podemos garantir com 100% de certeza de que atingimos todos os estoques, mas as ferramentas de produção e de pesquisa o foram”, informaram os ministros.

Em Londres, a primeira-ministra britânica, Theresa May, falou da ordem para o bombardeio realizado por quatro aviões de caça Tornado GR4 da Força Aérea Real. “Não há alternativa ao uso da força para degradar e impedir o recurso às armas químicas pelo regime sírio”, informou a premiê, via comunicado. “Nós temos procurado todos os recursos diplomáticos, mas nossos esforços foram constantemente frustrados.”

Segundo a premiê, os três países trabalharam de forma conjunta para apurar as responsabilidades do ataque com armas químicas há oito dias na cidade de Duma, na Síria, quando pelo menos 70 pessoas morreram, incluindo crianças, e outras 500 foram intoxicadas.

Tanto na França quanto no Reino Unido, partidos de oposição questionaram a atitude dos países ocidentais, lamentando uma ação fora do direito internacional e sem a autorização da Organização das Nações Unidas (ONU).

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