Londres reforçará defesa das Malvinas

Secretário de Defesa britânico diz que a Argentina é uma 'ameaça muito viva' ao anunciar US$ 268 milhões para modernizar a proteção das ilhas

RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

25 Março 2015 | 02h03

O anúncio britânico de que reforçará a defesa militar das Ilhas Malvinas (Falklands, para Londres) e a citação da Argentina como uma "ameaça muito viva" provocaram respostas em várias frentes do governo de Cristina Kirchner. O secretário de Defesa britânico, Michael Fallon, revelou ontem um plano de US$ 268 milhões para modernizar ao longo de dez anos a proteção ao arquipélago.

"O objetivo é assegurar a defesa das ilhas de maneira efetiva. A atual presença militar é em geral proporcional à ameaça que enfrentamos", disse Fallon à Câmara dos Deputados. Horas antes, à rádio BBC, ele afirmara que a ameaça argentina era "muito viva" e era preciso "responder a ela".

O efetivo militar de 1,2 mil homens nas ilhas deve ser mantido. As principais mudanças devem ser o envio de dois helicópteros Chinook até metade do próximo ano e a modernização do sistema de defesa com mísseis terra-ar, uma vez que o atual, o Rapier, deve sair de operação ainda nesta década. Outra providência é a melhora das comunicações em Mount Pleasant, onde está a base militar britânica, e no aeroporto local. Londres manterá uma embarcação patrulhando a região.

Questionado sobre um acordo de venda de armas russas para a Argentina, o ministro britânico disse não ter confirmação sobre o negócio, mas citou a agressividade russa "em diferentes partes do mundo", uma alusão à anexação da Crimeia, para justificar o gasto nas ilhas.

A reação argentina mais moderada veio do ministro da Defesa, Agustín Rossi. Ele desmentiu que o país tenha intenção de invadir as ilhas com apoio militar russo, como divulgado pelo jornal sensacionalista The Sun.

"É simplesmente mentira. Não há nenhuma política armamentista de nosso país", disse à rádio La Red. "A Argentina e os países da América do Sul e da África defendem o Atlântico Sul como zona de paz. Essa militarização vai contra o que defendemos", afirmou, falando em apostar na "vocação diplomática" argentina para recuperar a soberania do arquipélago. Em 1982, a Argentina invadiu as Malvinas e rendeu-se após 74 dias. Morreram 649 argentinos e 255 britânicos.

A embaixadora argentina em Londres, Alicia Castro, foi mais enfática nos ataques ao The Sun e ao governo britânico. "Esse jornal vende lixo. É antiargentino e antilatinoamericano." Para ela, o tema foi levantado em razão de um lobby militar interessado em ampliar gastos na região.

"Nunca mais ocorrerá uma guerra nas Malvinas, pois isso foi claramente uma iniciativa da ditadura militar argentina (1976-1983) para se manter no poder", afirmou à Radio del Plata.

A animosidade entre os governos ocorreu no "Dia da Memória", em que os argentinos lembraram os 39 anos do início do regime militar que matou 30 mil pessoas. Centenas marcharam ontem até a Casa Rosada para pedir a punição de envolvidos em crimes contra os direitos humanos e a abertura total de arquivos do período. / COM EFE e AFP

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