REUTERS/Hannah McKay
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Londres rejeita novo referendo sobre a saída do Reino Unido da UE

Discussão sobre outra votação do Brexit surge após líder europeu considerar possibilidade; chefes da UE defendem reversão

O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2018 | 21h05

Londres - Após a possibilidade de um novo referendo sobre a saída do Reino Unido da União Europeia ter sido levantada por Nigel Farage, um dos principais defensores do Brexit, o governo do país rejeitou nesta terça-feira, dia 16, uma outra consulta popular. Diante da complexidade do processo de negociação para saída britânica do bloco, prevista para março de 2019, o debate sobre o tema tem ganhado força.

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Nesta terça-feira, dia 16, os presidentes do Conselho Europeu, Donald Tusk, e da Comissão Europeia, Jean-Claude Junker, abriram as portas para o Reino Unido reverter o Brexit – que foi aprovado em 23 de junho pelos britânicos (51,8% a 48,2%). 

“O Brexit se tornará realidade – com todas as suas consequências negativas – em março do ano que vem, a não ser que haja uma mudança de ideia entre nossos amigos britânicos. Nós aqui no continente não mudamos de ideia. Nossos corações ainda estão abertos para vocês”, declarou Tusk, em Estrasburgo. Junker também reforçou a ideia. “Nossas portas ainda estão abertas. Espero que isso seja ouvido em Londres.”

Na semana passada, uma das figuras mais importantes na defesa do Brexit, Farage, ex-líder do eurocético Partido da Independência do Reino Unido (Ukip), defendeu a realização de um segundo referendo sobre o tema, convencido de que o eleitorado repetiria a decisão. 

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De acordo com ele, a nova votação calaria as críticas sobre a saída de Londres. “Para ser claro, não quero um segundo referendo, mas temo que o Parlamento imponha isso ao país”, declarou Farage em artigo publicado no site do jornal britânico The Daily Telegraph. 

Conservadores. A primeira-ministra britânica, Theresa May, do Partido Conservador, descartou a possibilidade de uma nova votação sobre o tema. Uma porta-voz da premiê reforçou na terça-feira, dia 16, a posição do governo. “Os britânicos votaram por abandonar a UE. E é isso o que faremos.”

Em entrevista publicada na terça-feira, dia 16, pelo jornal britânico The Guardian, o ministro de Relações Exteriores do país, Boris Johnson, também descartou a possibilidade de uma nova consulta popular. 

“Se houvesse outro referendo – e acho que não deveria haver –, o resultado seria mais ou menos o mesmo, ou seria um resultado mais claro na direção da saída”, afirmou Johnson, que também fez campanha pelo Brexit.

May tem declarado que um segundo plebiscito sobre o Brexit significaria uma traição ao eleitorado britânico e poderia resultar em um acordo ruim com Bruxelas. Entre os conservadores, somente 36% são a favor de uma nova votação. Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, de oposição, também é contra um segundo referendo, mas pede “um voto significativo no Parlamento” sobre os termos do futuro divórcio. 

Entre os principais defensores de uma nova votação estão o ex-primeiro-ministro trabalhista Tony Blair e o ex-líder do Partido Liberal Democrata Nick Clegg. Constitucionalistas britânicos se dividem sobre a possibilidade de o Reino Unido reverter o processo de retirada determinado pelo referendo.

Segundo pesquisa divulgada na terça-feira, dia 16, pelo instituto BMG Research, 57% dos britânicos são a favor de um novo plebiscito se as negociações para o Brexit não alcançarem um acordo comercial favorável entre o país e o bloco. Uma sondagem publicada no dia 12 pelo tabloide Daily Mirror mostrou que, se uma segunda consulta popular fosse realizada, 55% dos britânicos votariam contra o Brexit. / EFE, AFP e REUTERS 

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