Lula colaborou em libertação de francesa

Sarkozy agradece a líder brasileiro; visita ao Irã teria criado condições para professora ser solta

Roberto Simon, ENVIADO ESPECIAL / TEERÃ, O Estado de S.Paulo

17 Maio 2010 | 00h00

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, agradeceu ontem a contribuição do Brasil para a libertação de Clotilde Reiss, acadêmica francesa de 24 anos que estava presa no Irã desde julho. Sarkozy também elogiou a intermediação do Senegal e da Síria no caso. Segundo o líder francês, o Brasil e esses dois países tiveram um "papel ativo" na libertação de Clotilde.

A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Teerã teria criado condições para que o regime iraniano decidisse substituir a pena de 10 anos de prisão à qual foi condenada a francesa por uma multa de 350 mil. Clotilde desembarcou ontem em Paris, num avião oficial francês, e se encontrou com o chanceler Bernard Kouchner e com Sarkozy.

"Clotilde Reiss estava presa injustamente no Irã desde 2009", ressaltou em nota o Palácio do Eliseu, antes de prestar homenagem à professora por ter mostrado, durante sua detenção, "coragem e dignidade exemplares".

França e EUA apostavam na mediação brasileira para libertar seus cidadãos presos no Irã. Antes da visita de Lula, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, solicitou formalmente ao chanceler brasileiro, Celso Amorim, que pedisse a libertação de três alpinistas americanos detidos em 2009. "Traga os nossos garotos de lá", afirmou Hillary.

Clotilde, que estava trabalhando como professora na Universidade de Isfahan, foi presa durante uma onda de manifestações há dez meses, após a suposta fraude eleitoral que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad. Ela foi condenada por espionagem por ter enviado informações sobre os protestos por e-mail para a embaixada francesa e para sua família.

Sua sentença inicial foi comunicada em um julgamento em massa feito pelo Judiciário iraniano contra manifestantes presos. Em seguida, Clotilde foi levada à prisão de Evin, reservada a acusados de crimes de consciência. "Estou muito feliz por retornar ao meu país e rever pessoas que amo", afirmou ontem.

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