Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Lula repreende 'seu Trump' por ameaça à Venezuela

Segundo ele, é inaceitável que o governo dos EUA ameacem uma ação armada no país vizinho

Ricardo Galhardo / São Bernardo, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2017 | 19h23

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira, 15, a política do governo Donald Trump para a Venezuela. Lula evitou elogiar ou defender a administração de Nicolás Maduro, que segundo o petista não tem o “charme” do antecessor Hugo Chávez, mas disse ser inaceitável que o governo dos EUA ameacem uma ação armada no país vizinho. 

“Lembro da minha relação de amizade com o companheiro Maduro para lembrar que o Maduro não tem a eloquência e o charme do Chávez, mas a gente não pode permitir que qualquer que seja o erro que o Maduro tenha cometido ou que venha a cometer permita que um presidente americano diga que vai utilizar a força para poder derruba-lo”, disse Lula.

O ex-presidente fez a declaração durante o lançamento do Instituto Futuro – Marco Aurélio Garcia, criado por centrais sindicais do Brasil e Argentina com o objetivo de preservar o legado dos governos progressistas latino-americanos e conter o avanço das forças de direita no continente. 

Na sexta-feira Trump disse que os EUA têm “muitas opções para a Venezuela, incluindo uma opção militar se for necessario”. Lula rebateu o presidente americano, a quem chamou de “seu” Trump.

“Nós queremos que o Maduro acerte, que faça a coisa certa. Em vez de Trump dizer que vai usar armas devia propor ao mundo o grupo de amigos que nos propusemos. O 'seu Trump' precisa aprender de uma vez por todas que a gente não resolve conflitos políticos com armas. A gente resolve conflitos com diálogo, com acordos. E se ele não sabe fazer nós aqui na América Latina podemos ensinar”, afirmou o petista.

O posicionamento em relação ao governo Maduro é motivo de divergencias entre Lula e o PT. O ex-presidente tem críticas ao sucessor de Chávez e evita empenhar apoio incondicional a Maduro. Já o PT, por meio de nota assinada pela presidente do partido, Gleisi Hoffmann, declarou total apoio ao presidente venezuelano. 

Participaram do evento diversos lideres sindicais da região alem dos ex-chanceleres brasileiro e argentino Celso Amorim e Jorge Taiana e da secretaria de Relações Internacionais do PT e secretária executiva do Foro de São Paulo, Monica Valente, e do ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência Luiz Dulci, diretor do Instituto Futuro. 

Na cerimonia, Lula lamentou que durante seu governo não tenha criado mais mecanismos multilaterais na região. “Fomos muito voluntaristas. Às vezes penso que a integração era mais retórica”, admitiu. 

Política interna. Lula falou pouco sobre a política nacional. Segundo ele, a situaçao no Brasil está “ muito ruim”. “Estamos vivendo um período de negação da política. É um movimento mundial. Aqui no Brasil está tudo muito difícil. A política está judicializada e a Justiça está politizada. Há uma inversão de valores”, disse o petista.

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