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AFP / LOUISA GOULIAMAKI

Macedônia lança gás lacrimogêneo contra imigrantes na fronteira com a Grécia

Segundo a ONG Médicos do Mundo (MDM), 'pelo menos 30 pessoas precisaram de atendimento médico, incluindo muitas crianças'

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O Estado de S. Paulo

29 Fevereiro 2016 | 14h20

A tensão na fronteira greco-macedônia aumentou nesta segunda-feira, 29, após a polícia macedônia utilizar gás lacrimogêneo contra centenas de migrantes que tentavam forçar a cerca fronteiriça para protestar contra o fechamento das fronteiras, uma questão que divide a União Europeia.

Mais de 7 mil migrantes e refugiados permaneciam retidos nesta segunda no posto grego de Idomeni após as restrições impostas por vários países, incluindo Macedônia, sobre o número de pessoas autorizadas a entrar em seus territórios.

Enquanto que, no domingo, a Macedônia deixou quase nenhum migrante atravessar, ao amanhecer desta segunda 300 iraquianos e sírios puderam finalmente entrar no país.

Ao meio-dia, outro grupo de 300 iraquianos e sírios, incluindo mulheres e crianças, forçou um cordão policial grego e derrubou parte da cerca de arame farpado que marca a fronteira com a Macedônia. A polícia macedônia respondeu disparando gás lacrimogêneo para afastar os migrantes e impedi-los de entrar em seu território.

Segundo a ONG Médicos do Mundo (MDM), "pelo menos 30 pessoas precisaram de atendimento médico, incluindo muitas crianças". De acordo com MDM, o atual número de migrantes em Idomeni é quatro vezes maior do que a capacidade dos dois campos, instalados perto da passagem de fronteira, e muitas pessoas têm que dormir nos campos.

Abdaljalil, um sírio de 22 anos de idade de Alepo, diz estar desesperado: "Ninguém nos explica por que não podemos atravessar. A situação é muito difícil aqui, não há espaço nem comida (...) e eu não posso retornar para Alepo".

A Macedônia é o primeiro país na rota dos Balcãs, utilizada por migrantes que chegam nas ilhas gregas a partir da costa turca e que desejam chegar aos países da Europa do Norte e Central.

Plano de emergência. Depois da Áustria, o primeiro país a adotar um sistema de cotas, a Croácia e a Eslovênia, membros da UE, bem como a Macedônia e a Sérvia, decidiram na semana passada limitar o número de migrantes admitidos no seu território, provocando protestos em Atenas.

A Grécia alertou que entre 50 mil e 70 mil pessoas poderiam se ver bloqueadas no país em março, contra 22 mil atualmente.

A chanceler alemã Angela Merkel lamentou no domingo a decisão "unilateral" da Áustria, tomada antes de uma reunião ministerial europeia na quinta-feira passada em Bruxelas.

"Podemos acreditar seriamente que os países (da zona do) euro lutaram até o fim para que a Grécia permanecesse no euro (...) para um ano mais tarde, no fim, permitir, por assim dizer, que a Grécia mergulhe no caos?", afirmou Merkel.

A Áustria "não deve receber lição de ninguém", respondeu a ministra do Interior austríaca, Johanna Mikl-Leitner, lembrando que foi a Alemanha que, sem anunciá-lo, começou em dezembro a filtrar os migrantes na sua fronteira com a Áustria.

Enquanto que as dissensões aumentam no seio da UE, Mina Andreeva, porta-voz da Comissão Europeia, disse nesta segunda-feira que "um plano de contingência estava sendo desenvolvido para ajudar a Grécia" e outros países da Europa ocidental, "a fim de evitar uma possível crise humanitária".

A UE "utiliza todos os instrumentos disponíveis para reforçar as capacidades de recepção, transferência e gestão do problema nas fronteira", assegurou.

Em Atenas, uma reunião foi marcada para esta segunda entre o ministério do Interior e a União dos municípios do país (Kede) para gerir o problema das estruturas de acolhimento.

Além dos centros de triagem e registro (hotspots) instalados nas ilhas gregas, dois campos de acolhimento foram recentemente abertos na Grécia continental, com uma capacidade de 2 mil pessoas cada atualmente.

Ex-sedes olímpicas em Hellinikon, subúrbio a sul de Atenas, também foram disponibilizadas aos migrantes.

Na França, as autoridades começaram nesta segunda-feira a desmantelar uma parte do maior campo de migrantes do país, a "selva" de Calais (norte). / AFP 

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