Macedônia prorroga ultimato a rebeldes

Sob forte pressão de países ocidentais, autoridades da Macedônia anunciaram nesta quinta-feira a prorrogação, por tempo indeterminado, do prazo do ultimato estabelecido pelo governo para que os rebeldes de etnia albanesa entreguem suas armas. O presidente da Macedônia, Boris Trajkovski, havia declarado na véspera, em cadeia nacional de televisão, que uma solução pacífica para as exigências dos albaneses étnicos requeria "paciência, coragem, determinação e disposição para o compromisso". "A horrível alternativa seria uma sociedade dividida e mergulhada em guerra", acrescentou o presidente. A decisão do governo de voltar atrás em sua ameaça de "guerra total" foi precedida por um intenso lobby internacional, desencadeado pelo temor de que uma escalada do conflito na Macedônia possa se espalhar por toda a região dos Bálcãs. Nesta quinta-feira, tiros esporádicos, supostamente disparados pelos rebeldes, segundo o Exército, foram ouvidos, enquanto vencia o prazo para que os insurgentes depusessem suas armas, ao meio-dia (7h da manhã, no Brasil). Entretanto, a situação era de aparente calma na linha de frente dos conflitos, próxima à fronteira com a província iugoslava de Kosovo. Um porta-voz do Exército, coronel Blagoja Markovski, informou sobre ataques realizados pelos rebeldes na madrugada desta quinta. O oficial disse que militantes albaneses abriram fogo contra unidades governamentais nas vilas de Slupcane e Opae, perto da cidade de Kumanovo, na fronteira com Kosovo, momentos antes do fim do ultimato. Cerca de 750 refugiados albaneses étnicos abandonaram Opae nesta quarta à noite e seguiram a pé para Nikustak e Aracinovo, perto da capital, Skopje, segundo o porta-voz do governo, Antonio Milososki. Os rebeldes albaneses exigem uma reforma constitucional para melhorar as condições de vida de seu povo - algo que a liderança macedônia, de maioria eslava, rejeita, sob o argumento de que levaria a uma divisão do país. A minoria albanesa forma quase um terço da população da república, de dois milhões de habitantes.

Agencia Estado,

17 Maio 2001 | 17h26

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