REUTERS/Marco Bello
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Maduro diz que líderes regionais 'o temem' e promete ir a reunião no Peru

Grupo de países que monitoram a crise venezuelana retiraram o convite para o líder chavista participar da Cúpula das Américas

O Estado de S.Paulo

15 Fevereiro 2018 | 17h39

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, prometeu nesta quinta-feira, 15, desafiar o veto do governo peruano à sua presença na Cúpula das Américas, que deve reunir chefes de Estado do continente entre 13 e 14 de abril, em Lima. O governo do presidente Pedro Pablo Kuczynski declarou nesta semana que Maduro não é bem-vindo no país. Segundo o chavista, a recusa é uma tentativa de isolar seu país diplomaticamente. 

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“Eles têm medo de mim? Não querem me ver em Lima? Verão, pois eu irei – chova, trovoe ou relampeje. Por ar, mar ou terra, chegarei à cúpula com a verdade da Venezuela”, disse Maduro à imprensa. Na terça-feira, em reunião do chamado Grupo de Lima – grupo de 15 países que monitoram a crise venezuelana –, o convite para Maduro participar da cúpula foi retirado. 

“Querem repetir com a Venezuela o que fizeram com Cuba”, disse Maduro, em referência à suspensão da ilha da Organização dos Estados Americanos (OEA), após a chegada de Fidel Castro ao poder. “Na Venezuela, mandam os venezuelanos, não o Grupo de Lima, não Pedro Pablo Kuczynski, não (o presidente da Colômbia) Juan Manuel Santos. Mandam as instituições e os venezuelanos.”

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No fim da tarde desta quinta, a chancelaria peruana informou que o líder venezuelano não poderá entrar no país sem convite. Maduro chamou o Grupo de Lima de “clube dos governos mais impopulares do planeta”, em referência aos índices de popularidade ruins de Kuczynski, que recentemente escapou da destituição pelo Congresso. Carmen Luisa Velásquez, a representante da Venezuela na OEA, também ironiza o grupo, chamado por ela de "Cartel de Lima".

Em razão do colapso econômico, a Venezuela sofre com a grave escassez de alimentos, de remédios e hiperinflação. A antecipação das eleições para abril prejudicou a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), que não decidiu se participará da disputa.

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O Grupo de Lima é integrado por Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Costa Rica, Estados Unidos, Guiana e Santa Lúcia.

Unasul

Maduro também disse que o presidente da Argentina, Mauricio Macri, deveria convocar um encontro da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para debater a crise venezuelana. “Convoque um encontro, ouse, não tenha medo de mim, presidente Macri”, disse Maduro. “Se vocês querem falar sobre a Venezuela, vamos falar sobre a Venezuela.”

Os críticos ao chavismo dizem que Maduro há anos tem se recusado a escutar conselhos de que deveria reformar a economia em colapso da Venezuela. Na avaliação de países vizinhos, o fato de Maduro se recusar a reconhecer a crise humanitária no país torna inútil a tentativa de se reunir com ele.

Maduro afirma que os governos regionais de direita são parte de uma conspiração internacional liderada pelos Estados Unidos para derrubá-lo e tomar as reservas de petróleo do país. / EFE, REUTERS e AFP

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