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Internacional

Venezuela

Maduro ordena que diplomata venezuelano seja retirado dos EUA

Segundo líder bolivariano, medida marca o fim da utilização de 'dois pesos e duas medidas' nas relações entre os países e serve para fazer com que os americanos 'respeitem a Venezuela de Bolívar'

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O Estado de S. Paulo

10 Março 2016 | 10h06

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou na quarta-feira, 9, a retirada do principal representante diplomático de Caracas em Washington, diante da decisão do presidente americano, Barack Obama, de prolongar a declaração de emergência contra o país sul-americano por um ano. O Departamento de Estado americano, porém, disse que ainda não foi "notificado oficialmente" sobre a decisão do líder bolivariano.

"Chega de arrogância, de dois pesos e duas medidas, de prepotência, de intrigas, temos que fazer respeitar a Venezuela de Bolívar", disse Maduro, ao anunciar que mandou retornar a Caracas Maximilien Sánchez Arveláiz, encarregado de negócios nos Estados Unidos.

O presidente afirmou, além disso, que deu à ministra das Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, "instruções precisas para, nas próximas semanas, dar passos para defender a pátria e tomar medidas que serão anunciadas em relação ao decreto dos EUA".

Sánchez Arveláiz esperava receber o status de embaixador da Venezuela desde maio de 2014, mas Maduro decidiu manter o nível da relação bilateral em encarregado de negócios.

O presidente dos EUA, Barack Obama, decidiu recentemente prorrogar o decreto executivo emitido por ele em março do ano passado, que ampliava as sanções contra funcionários do governo da Venezuela. Para renovar a medida, Obama argumentou que a Venezuela segue convivendo com a "perseguição dos opositores políticos, com a restrição da liberdade de imprensa, com o uso da violência e com as violações aos direitos humanos".

Maduro informou que o alto comando político de seu governo apresentou um "plano especial de denúncia" contra o decreto americano em nível internacional. E lembrou que no próximo sábado uma grande manifestação será organizada para dizer "não" à ordem executiva de Obama.

Resposta. O Departamento de Estado dos Estados Unidos relatou que, apesar de ter ouvido as palavras de Maduro, não recebeu uma "notificação oficial" da saída de Sánchez Arveláiz.

Um funcionário do alto escalão da diplomacia americana, que pediu o anonimato, disse que "tem conhecimento" do anúncio de Maduro em sua mensagem à nação venezuelana, mas também comentou que, "por enquanto", o Departamento não recebeu uma notificação oficial.

"Seguimos tendo relações diplomáticas com a Venezuela e seguimos desejando estar em contato com todos os setores do país, entre eles o Poder Executivo. Os EUA continuam apoiando a democracia, a estabilidade e a prosperidade na Venezuela e na região", acrescentou a fonte.

As relações entre Venezuela e EUA passam por um de seus piores momentos na história. Ambos os países estão sem embaixadores desde 2010, quando o governo do então presidente Hugo Chávez rejeitou a designação de Larry Palmer como chefe da missão diplomática americana em Caracas devido a declarações feitas por ele no Senado sobre a Venezuela.

Como resposta, os EUA decidiram revogar as credenciais de Bernardo Álvarez como embaixador venezuelano em Washington. Desde então, as acusações de ambos os lados foram constantes. / EFE e AFP

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