Reprodução|La Patilla
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Maduro ordenou prisão de López para tirá-lo do ‘jogo político’, diz promotor

Franklin Nieves afirmou em entrevista que líder opositor é inocente, as provas apresentadas contra ele são falsas e que ele foi preso porque "temem sua liderança"

O Estado de S. Paulo

28 Outubro 2015 | 10h20

CARACAS - O ex-promotor Franklin Nieves, um dos encarregados do caso do opositor venezuelano Leopoldo López, afirmou nesta quarta-feira, 28, em uma entrevista em Miami para a CNN, que López é inocente, que todas as provas apresentadas contra ele são falsas e que “o prenderam porque temem sua liderança”.

“Leopoldo López é inocente. Prenderam-no porque temem sua liderança. Violaram os direitos humanos ao não permitirem a apresentação de provas no julgamento para refutar a alegação do que ele fez”, disse Nieves.

Depois de afirmar que tudo o que tem relação com a acusação de López era falso, o ex-promotor citou como maiores responsáveis pelo que aconteceu o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello. Segundo Nieves, a ordem de prisão foi dada por Maduro com o objetivo de tirar o líder opositor do “jogo político”.

Nieves pediu perdão ao próprio López, a sua esposa, Lilian Tintori, a toda a sua família e ao povo venezuelano. Ele também disse que não tem intenção de evitar sua responsabilidade penal, mas admitiu ter violado direitos humanos de forma sistemática.

“Uma das razões pelas quais decidi não abandonar o caso foi medo por ser um promotor na Venezuela e as pressões que exercem cada um de nossos chefes.”

López foi condenado em setembro por quase 14 anos de prisão por incitação ao crime, associação para delinquir, dano ao patrimônio público e incêndio proposital durante os protestos de 12 de fevereiro.

“Em nenhum momento López parecia incentivar atos violentos. Ele pedia calma para seus seguidores”, destacou Nieves.

Proteção. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) informou na terça-feira que solicitou à Venezuela medidas provisórias em favor das famílias dos opositores presos Leopoldo López e Daniel Ceballos, por considerar que suas vidas estão em “risco”.

Seis meses depois de fazer o pedido, a CIDH estendeu a proteção para as mulheres dos opositores, Lilian Tintori e Patricia Ceballos, e seus respectivos filhos, indicando que seus “direitos à vida e à integridade pessoal” se encontravam em uma “situação de risco”.

As medidas a favor de Lilian e Patricia, solicitadas a Caracas no dia 12 de outubro, preveem que o governo venezuelano tome medidas para garantir a vida e a integridade das duas mulheres e de seus filhos, sete pessoas no total.

Até agora, a Comissão, com sede em Washington, disse que não recebeu informações do governo venezuelano sobre a adoção de medidas de proteção para os políticos. /EFE e AFP

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