EFE/MIGUEL GUTIERREZ
EFE/MIGUEL GUTIERREZ

Maduro pede que Trump não se deixe influenciar por ‘políticas de mudança de regime’ na Venezuela

Chavista afirmou que ‘quantias milionárias’ estão sendo pagas nos corredores e gabinetes da Casa Branca e do Departamento do Tesouro para conduzir magnata a uma política contra o país sul-americano

O Estado de S.Paulo

20 Fevereiro 2017 | 11h33

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu no domingo que seu colega americano, Donald Trump, não se deixe enredar pelo que denunciou como uma milionária manipulação para forçar uma mudança de governo na Venezuela.

"Estão pagando quantias milionárias em corredores e gabinetes da Casa Branca e do Departamento do Tesouro para enredar o senhor e conduzi-lo em uma política contra a Venezuela", afirmou o presidente em seu programa de televisão, dirigindo-se ao mandatário americano. "Abra os olhos, não se permita ficar de mãos atadas e se levar por políticas de mudança de regime fracassadas contra a Venezuela" das administrações de George W. Bush e Barack Obama, acrescentou.

Na segunda-feira 13, o Departamento do Tesouro americano sancionou o vice-presidente venezuelano, Tareck El Aissami, por supostos vínculos com o narcotráfico, o que o governo venezuelano rejeitou como uma "agressão".

Também na semana passada, Trump pediu a libertação do líder opositor detido Leopoldo López, após se reunir na quarta-feira com Lilian Tintori, mulher do dirigente. No sábado, o Departamento de Estado exigiu libertar uma centena de prisioneiros de opinião na Venezuela.

Segundo Maduro, estas decisões estão motivadas pela manipulação da "direita" venezuelana, que promove "uma agressão e uma intervenção".

O presidente culpou os "lobistas de Miami" - aos quais não identificou - e aos deputados venezuelanos Julio Borges, presidente do Parlamento de maioria opositora, Freddy Guevara, vice-presidente do Legislativo, e Luis Florido.

"Eles vão abrir as portas a uma intervenção criminosa do império. Isso em qualquer país do mundo é crime, frente a esta Constituição é traição à pátria, e as instituições têm que reagir (...). Vão a Washington, Brasil, Colômbia fazer lobby contra a Venezuela", afirmou.

Guevara se reuniu recentemente em Washington com o secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, enquanto Borges visitou os Legislativos de Brasil e Colômbia.

Maduro reiterou que quer manter relações de respeito com Trump. O chavista voltou a defender El Aissami, a quem autorizou para que "tome todas as ações legais em tribunais nacionais, dos EUA e internacionais" e "enfrente esta infâmia".

No mesmo programa, El Aissami destacou que as sanções são fundadas nos testemunhos de quatro delinquentes internacionais para "desprestigiar a revolução bolivariana". / AFP

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