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Marco Bello|Reuters

Maior produtora de alimentos da Venezuela propõe plano anticrise

Empresas Polar pedem diálogo com o governo e acesso a divisas em dólar para aumentar produção interna de alimentos no país

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O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2016 | 15h18

CARACAS - As empresas Polar - a maior produtora de alimentos da Venezuela - apresentou nesta terça-feira, 2, um plano para mitigar a severa crise de abastecimento no país. O projeto consiste em sete eixos e pede a ajuda do presidente Nicolás Maduro para destravar a produção privada no país. O chavismo tem pedido a colaboração do setor empresarial contra a crise, mas ao mesmo tempo o acusa de boicotá-lo.

Segundo o presidente da Polar, Lorenzo Mendoza, as propostas são as mesmas de dois anos atrás, quando a crise de escassez começou a se agravar, e consistem no fortalecimento da produção interna. "Como empresa privada, queremos investir no país. Se nossas propostas já tivessem sido atendidas, estaríamos numa situação bastante diferente", disse Mendoza. "O eixo de qualquer recuperação passa obrigatoriamente pelo fortalecimento da indústria privada."

Ele pediu, entre outras coisas, o refinanciamento da dívida que o Estado detém, em dólares, com empresas que exportam matéria-prima para a Venezuela; o acesso a dólares pelas empresas privadas para a produção de alimentos; a criação de um fundo de emergência para importação de matéria-prima; o aumento dos preços de alimentos regulados pelo Estado para equipará-los ao custo de produção; recuperar a capacidade de produção das empresas estatais; destinar parte da produção privada a comunidades carentes com preços subsidiados e fortalecer a produção agrícola de alimentos onde a Venezuela é competitiva: café, milho, cacau e arroz. 

A empresa reclamou da quantidade de dólares repassada pelo governo chavista nos últimos anos para a compra de matéria-prima. Segundo Mendoza, esse montante equivale, desde 2003, a apenas 1,15% das importações do país. "Temos a capacidade de produzir 18 vezes mais do que o que foi comprado pronto de fora do país", disse. 

O empresário também defendeu a adoção de metas concretas e de curto prazo contra crise e o diálogo transparente com o governo para criar confiança e aumentar o investimento. /EFE

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