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Primavera Árabe

Mais 919 são levados a julgamento no Egito, enquanto estudantes protestam

O Estado de S. Paulo

26 Março 2014 | 13h 13

Mais membros da Irmandade Muçulmana serão julgados por acusações que vão de terrorismo a assassinato

CAIRO - O promotor público do Egito determinou que 919 membros da Irmandade Muçulmana sejam julgados nesta quarta-feira, 26, por acusações que vão de terrorismo a assassinato, disse a agência de notícias estatal.

Os membros serão julgados na província ao sul de Minya, onde no início desta semana um juiz condenou 529 integrantes da Irmandade à pena de morte sob diversas acusações, incluindo por assassinato.

A agência de notícias estatal afirmou que as novas acusações estavam ligadas a incidentes violentos de agosto do ano passado ocorridos depois que acampamentos de partidários do presidente deposto Mohamed Mursi foram dispersados à força por oficiais de segurança.

Protestos. Na Universidade do Cairo, centenas de estudantes que tentaram invadir o campus foram recebidos com bombas de gás lacrimogêneo pela polícia. Khadiga el-Kholi, uma estudante que participa dos protestos, disse que a polícia não deu avisos de que começaria a atacar, o que fez com muitos alunos se ferissem ao tentar fugir das bombas.

Os estudantes reagiram jogando pedras e fogos de artifício, o que formou uma batalha campal no meio da rua. Imagens das emissoras de TV mostraram policiais à paisana detendo manifestantes, tirando-lhes as máscaras e apreendendo com eles bombas de efeito moral.

"Nós queríamos que os nossos protestos crescessem por conta dessas sentenças de morte, entre as quais incluem as de estudantes universitários", disse el-Kholy, acrescentando que os manifestantes tentaram invadir uma praça pública nas proximidades do campus. "Queremos quebrar as barreiras que as forças de segurança impuseram em todas as praças da cidade."

Na cidade de Zagazig, no delta do Nilo, a polícia informou que os estudantes pró-Morsi danificaram a fachada de um prédio administrativo da universidade local e entraram em confronto com manifestantes rivais. O confronto causou a prisão de oito pessoas.

A onda de protestos estudantis começou após um tribunal da cidade de Minya condenar mais de 520 islâmicos à morte por terem conexão com um ataque a uma delegacia de polícia no ano passado, que causou a morte de um policial. Os veredictos foram dados após um julgamento que teve apenas duas sessões e no qual a defesa não foi autorizada a apresentar suas alegações. / AP e REUTERS

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