Mauricio Lima/The New York Times
Mauricio Lima/The New York Times

EUA atacam forças sírias para conter escalada e matam 100 aliados de Assad

Operação foi em resposta a ataque contra posições das Forças Democráticas Sírias, apoiadas por Washington, na Província de Deir es-Zor

O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2018 | 04h41
Atualizado 08 Fevereiro 2018 | 21h07

BEIRUTE - Mais de 100 membros das forças leais ao regime sírio do presidente Bashar Assad morreram em bombardeios conduzidos pela coalizão antijihadista liderada pelos EUA, anunciou nesta quinta-feira, 8, uma fonte militar americana.

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"Consideramos que mais de 100 membros das forças pró-regime sírias morreram em confrontos com as Forças Democráticas Sírias (FSD) e as forças da coalizão", afirmou a fonte, que pediu anonimato.

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A operação, que prosseguiu até esta madrugada, foi motivada por um ataque contra posições das Forças Democráticas Sírias, rebelião liderada pelos curdos que tem o apoio de Washington, na província síria de Deir es-Zor.

De acordo com o Comando Central dos EUA, o local do ataque de terça-feira também abrigava assessores do grupo. "A coalizão realizou bombardeios contra as forças de ataque para responder a um ato de agressão", disse a fonte americana.

A televisão estatal síria qualificou como "agressão" os bombardeios da coalizão liderada por Washington no leste do país. "Em uma nova agressão, (...) as forças da coalizão atacaram as forças populares" na Província de Deir es-Zor, afirmou a emissora, referindo-se a grupos paramilitares aliados do governo sírio.

A escalada dos confrontos ocorre em um momento de grande tensão entre Washington e Damasco pelas suspeitas do uso de armas químicas pelo regime Assad e as milícias aliadas ao governo.

Os EUA exigiram nesta quinta-feira que o governo sírio e as forças russas parem com os bombardeios e os supostos ataques químicos contra civis sitiados. Em comunicado do Departamento de Estado, Washington mostrou seu apoio ao apelo da ONU para um cessar-fogo na região de Gouta Oriental, reduto rebelde, e exigiu que Moscou controle o ditador sírio, seu aliado.

“Estamos novamente chocados com os recentes relatos sobre o uso de armas químicas pelo regime de Assad e a escalada de bombardeios que resultou em dezenas de mortes civis nas últimas 48 horas”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert. Oficiais americanos acreditam que o governo sírio tenha usado gás cloro como arma química ilegal nos últimos ataques a Gouta e a outros locais.

 

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Gouta Oriental

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), ao menos 22 civis morreram, incluindo crianças, e outras dezenas ficaram feridos em bombardeios lançados ontem pelo regime sírio em Gouta Oriental. 

Os ataques foram realizados contra seis localidades, segundo a ONG com sede em Londres que monitora o conflito na Síria. Nos últimos três dias, os bombardeios do regime sírio mataram ao menos 149 pessoas. / AFP

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