Mais de 100 devem ser acusados por massacre nas Filipinas

Prefeito suspeito de liderar sequestro e assassinado de 57 opositores é processado pela Justiça do país

estadao.com.br,

27 Novembro 2009 | 08h53

Mais de cem suspeitos, incluindo policiais, podem ser acusados pelo massacre desta semana nas Filipinas, segundo afirmou um oficial nesta sexta-feira, 27, depois que o suposto cérebro da ação foi processado pela morte de 57 pessoas.

 

O herdeiro de um poderoso clã, Andal Ampatuan Jr., filho do governador de mesmo nome e prefeito Datu Unsay, foi identificado por testemunhas como o mandante dos assassinatos, indicou a ministra da Justiça, Agnès Davanadera. Segundo ela, as testemunhas relataram que no massacre cometido na segunda-feira passada na província de Maguindanao, participaram pliciais e soldados.

 

Na última segunda-feira, foram sequestrados mais de 50 civis, entre eles jornalistas e políticos, que iam apresentar a candidatura a governador provincial de Ismail Mangudadatu, que quer disputar o posto contra Andal Ampatuan, um poderoso chefe tribal muçulmano temido em todo o sul da ilha de Mindanao. Entre as vítimas do massacre estão a esposa, parentes e dezenas de jornalistas e apoiadores de Mangudadatu, candidato a governador que pretendia desafiar o clã dos Ampatuan. Há anos o grupo vem governando sem oposição a província de Maguindanao.

 

O ministro do Interior Ronaldo Puno, afirmou à CNN que pelo menos 100 estão envolvidos no massacre. "Estamos no processo de preparação das acusações. Estas pessoas são atualmente membros da polícia e voluntários civis da província". Andal Ampatuan Jr. insistiu em sua inocência em entrevista de uma prisão de Manila concedida à televisão local ABS-CBN e culpou dos fatos os rebelde da Frente Moura de Libertação Islâmica (FMLI), que negou qualquer implicação nos assassinatos.

 

"Os responsáveis são o FMLI e Umbra Kato", afirmou Ampatuan se referindo a um notório líder guerrilheiro acusado de instigar ataques contra soldados e civis não sancionados pela direção da organização islamita e por cuja captura se oferece uma recompensa de 5 milhões de pesos (cerca de US$110 mil).

 

As forças de segurança demoraram quatro dias para realizar as primeiras detenções, apesar de que desde o primeiro momento os Ampatuan eram apontados como principais suspeitos. O suposto cérebro do massacre e dois de seus irmãos foram expulsos do partido Lakas-Kampi da presidente Gloria Macapagal Arroyo, criticada por sua aliança política com o clã dos Ampatuan.

 

A cerca de seis meses das eleições, que acontecem de maio de 2010, a extrema crueldade do massacre provocou fortes críticas contra a presidente Arroyo por tolerar que o país continue sendo controlado pelos clãs ou dinastias políticas, às que pertencem 160 dos 265 legisladores do atual Congresso. Mais de 900 pessoas foram assassinadas por motivos políticos nas Filipinas desde que Arroyo acedeu ao poder em 2001, segundo o grupo direitos humanos local Karapatan, que atribui a maioria dos casos à guerra suja que lideram as forças de segurança contra os rebeldes comunista.

 

Membro da ONU morto

 

Um filipino que trabalha para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no sul das Filipinas foi baleado e está em estado grave, informou a agência da ONU nesta sexta-feira. O ataque ocorreu na província de Maguindanao, a mesma do massacre.

 

Mais cedo, a polícia chegou a informar que Nestor Bulahan havia morrido após o ataque na quinta-feira, mas um comunicado posterior da Unicef disse que ele está vivo. Uma porta-voz da Unicef afirmou que o caso aparentemente não tinha relação com o trabalho de Bulahan. "Ele não estava em uma missão oficial e entendemos que o incidente foi pessoal", afirmou ela. O policial Siegfredo Ramos disse que Bulahan estava em um mototáxi para se encontrar com um conhecido na cidade de Parang quando um homem armado atirou nele.

Mais conteúdo sobre:
Filipinas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.