Mais de 200 seqüestrados são soltos na Colômbia

O maior sequestro da Colômbia teve nesta quinta-feira um desfecho feliz quando um grupo paramilitar de extrema direita libertou mais de 200 caponeses. A libertação foi feita em duas etapas. Na primeira, cerca de 50 pessoas foram colocadas em liberdade na noite de quarta-feira. Um grupo maior foi libertado esta madrugada na zona rural de Carupaná, informou à Associated Press o major José Luis Bulla. Alejandro Sarmiento, um dos reféns libertados, disse que não se tratou de um seqüestro. "Só nos levaram para um bate-papo informativo e nos trataram muito bem", disse à rádio Caracol, após fazer uma caminhada de mais de 6 horas através de uma zona rural. "Fomos libertados por volta das oito da noite (de quarta-feira), mas nos pediram o favor de que não comentássemos nada", acrescentou Sarmiento, após confirmar que eles foram retidos por um grupo paramilitar que estava à procura de infiltrados da guerrilha entre os camponeses. Sarmiento informou que os reféns são trabalhadores de uma plantação agrícola e que foram todos libertados após permanecerem todo o dia de ontem em conferência com os paramilitares. O Procurador Geral da Nação, Alfonso Gómez Méndez, disse em Bogotá que "ainda não estão claros os objetivos do seqüestro maciço, mas aparentemente se trata de uma demonstração de força dos paramilitares". As Autodefesas Camponesas de Casanare (ACC), que fazem parte das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), assumiram a autoria do seqüestro em um comunicado divulgado na quarta-feira à noite, no qual explicaram que seu objetivo era o de "confirmar versões de inteligência das ACC sobre uma possível infiltração de elementos da guerrilha comunista proveniente da área de distensão". O comunicado diz ainda que a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) tem um plano para "expandir sua hegemonia" nas zonas de cultivo de palmito nos departamento de Meta, Vichada e Guaviare, no sudoeste do país. O comunicado foi assinado por Humberto Caicedo, vulgo "comandante HK", que esteve detido em um quartel militar do município de Yopal, na mesma zona, mas conseguiu fugir na semana passada, aparentemente graças à cumplicidade de alguns militares.

Agencia Estado,

17 Maio 2001 | 16h56

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