Alexander Nemenov/AFP
Alexander Nemenov/AFP

Mais de 3,5 mil militares participam dos trabalhos de resgate do avião russo que caiu no Mar Negro

Equipes já recuperaram 11 corpos e 154 partes da aeronave que tinha como destino a base militar russa na Síria, além da parte principal da fuselagem

O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2016 | 08h13

MOSCOU - Mais de 3,5 mil militares, 39 embarcações e 32 aparelhos aéreos participam nesta segunda-feira, 26, das operações realizadas pela Rússia para resgatar os corpos das 92 pessoas que morreram no domingo a bordo do avião militar Tu-154 que caiu nas águas do Mar Negro.

Os operários de resgate, entre eles 135 mergulhadores, recuperaram até agora 11 corpos e 154 partes da aeronave que caiu minutos após decolar do aeroporto de Sochi, no sul do país, com destino à base militar russa na Síria.

As partes do Tu-154 foram encontradas a 27 metros de profundidade, indicou a equipe de mergulhadores do Ministério de Emergências russo. "Partes do avião foram encontradas a 27 metros de profundidade, cerca de uma milha náutica da costa", declarou uma porta-voz da equipe em Sochi, Rimma Tchernova. As equipes tentam localizar precisamente onde está cada fragmento e determinar seu tamanho, acrescentou ela.

As equipes também encontraram a parte principal da fuselagem do avião. "Os mergulhadores encontraram a fuselagem do avião que caiu ontem no Mar Negro", afirmaram as agências de notícias, citando um membro da equipe de resgate do Ministério.

Os corpos resgatados chegaram esta manhã a Moscou a bordo de um avião de transporte militar, informaram as agências de notícias russas.

Os militares que participam da operação de resgate delimitaram a área de busca do avião acidentado e acreditam que localizarão o aparelho ao longo desta segunda-feira. "Acredito que hoje poderemos encontrar o local onde está a aeronave no fundo do Mar Negro", afirmou aos jornalistas o comandante-em-chefe das Forças Aeroespaciais da Rússia, Viktor Bondarev. Especialistas russos determinaram a trajetória que o aparelho seguiu antes de cair e concluíram que o Tu-154 caiu na água a seis quilômetros do litoral.

Apesar das caixas-pretas não emitirem sinais de rádio para facilitar sua localização, Bondarev se mostrou confiante de que elas serão encontradas e poderão esclarecer as circunstâncias do acidente. "Sabemos onde estão: no estabilizador vertical. Tenho certeza de que o estabilizador vertical sofreu o menor dano, já que o choque foi com a parte inferior e a fuselagem da aeronave", explicou.

O ministro dos Transportes russo, Maxim Sokolov, descartou um atentado terrorista como uma das causas prováveis do acidente, e apontou para o "estado técnico do aparelho ou uma falha de pilotagem" como as duas versões prioritárias da investigação.

A Rússia vive um dia de luto nacional em memória às vítimas do acidente aéreo. As principais redes de televisão do país modificaram sua programação, da qual retiraram programas humorísticos.

Na aeronave viajavam militares, 9 jornalistas e 64 integrantes do coro e conjunto de dança Alexandrov do Exército russo, que iria animar a comemoração de ano-novo na base aérea síria de Khmeimim, onde a Rússia tem um agrupamento de aviões de guerra. Entre os passageiros também estava a presidente da fundação "Ajuda Justa", a médica Elizaveta Glinka.

O avião, com capacidade para até 180 passageiros, vinha de Moscou e tinha feito escala para reabastecer no aeroporto de Sochi. A aeronave foi fabricada em 1983, e há dois anos havia sido submetida a uma revisão geral. Desde então, o fabricante não tinha recebido dos proprietários do aparelho pedidos de manutenção técnica ou consertos. / EFE e AFP

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