Mais de 80% dos alvos foram danificados, dizem EUA

O secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, disse nesta terça-feira que o sucesso dos dois primeiros dias de bombardeios contra a defesa antiaérea, pistas de pouso e infra-estrutura militar e de comunicação usadas pela organização terrorista Al-Qaeda e o regime do Taleban deixou as forças norte-americanas em posição de levar a cabo ataques aéreos no Afeganistão "24 horas por dia, como desejarmos". Os ataques à luz do dia começaram nesta terça-feira contra alvos em Cabul e pelos menos duas outras áreas do país, principalmente Kandahar, bastião do Taleban. À noite, foi iniciada mais uma série de bombardeios. As primeiras vítimas civis confirmadas foram quatro funcionários de uma ONG financiada pela ONU. "Essencialmente, temos supremacia aérea no Afeganistão", anunciou o chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Richard Myers, na entrevista diária que ele e Rumsfeld dão desde domingo, indicando que os poucos MiGs e as baterias fixas de mísseis antiaéreos sob controle do Taleban já estão fora de combate, assim como todas, exceto uma, base aérea. "Haverá sempre fogo antiaéreo, mas a tática que usaremos nos manterá fora de seu raio de alcance", disse Myers, destacando que mais de 80% dos 44 alvos atacados domingo e segunda-feira foram danificados ou destruídos. Isso criou "condições para conduzir uma campanha sustentada para erradicar os terroristas", disse Rumsfeld. O Pentágono mostrou pela primeira vez imagens de alvos antes e depois dos ataques: um campo de treinamento terrorista em Garmabak Ghar, uma instalação de defesa antiaérea perto de Kandahar e uma pista de pouso e decolagem em Shindand, todos danificados. As declarações que Rumsfeld, quando enfatizou os limites do que se pode conseguir com o poder aéreo no Afeganistão, são um claro sinal de que os EUA se preparam para lançar a segunda e mais complexa etapa da guerra contra o terrorismo, que deverá envolver também o engajamento de tropas terrestres, embora o presidente George W. Bush tenha se negado a confirmar a participação de militares americanos nessa etapa: "Sobre se vamos ou não pôr tropas em terra, eu não vou dizer." Mas, de acordo com informações que o Pentágono adiantou para a imprensa americana para preparar a população para a fase mais difícil do conflito, as forças especiais desempenharão um papel crescente nas próximas semanas. É provável que algumas unidades dessas forças já tenham realizado ou estejam realizando operações de inteligência dentro do Afeganistão. Procurando evitar ao máximo o uso do território do Paquistão, para não aumentar os problemas internos que o apoio aos EUA causa a Islamabad, os planejadores da operação designaram o porta-aviões Kitty Hawk como base de operações. O Kitty Hawk, que estava em missão de rotina no Pacífico, deixou sua base no Japão há dez dias rumo ao Mar da Arábia, onde deverá desempenhar um papel central na próxima etapa da guerra. Nos próximos dias, já na região do Golfo Pérsico, o porta-aviões deverá receber helicópteros do 106º Regimento Aerotransportado de Operações Especiais do Exército. Esses helicópteros, carregados com comandos, poderão ser chamados a fazer incursões no Afeganistão. Também a caminho da região do conflito estão mil soldados da 10ª Divisão de Montanha do Exército e tropas atualmente a serviço na Bósnia e em Kosovo, que serão substituídas em suas missões atuais nos Bálcãs por forças européias. Esses soldados poderão desempenhar uma variedade de papéis, tomando parte em ações ofensivas dentro do Afeganistão ou protegendo forças americanas já na região, como a unidade da Força Aérea que chegou na semana passada ao Uzbequistão para realizar missões ainda não conhecidas a partir de antigas bases soviéticas. "As tropas começarão a ir (para o Afeganistão), não porque tenhamos um plano claro e definido", disse um oficial ao Washington Post. "Queremos posicionar as forças de modo a ter um amplo leque de opções." A nova etapa da guerra contra o regime dominante em Cabul deverá ver também uma participação maior dos grupos afegãos anti-Taleban que operam no sul e norte do país. Rumsfeld reiterou o objetivo imediato dos EUA de provocar a derrocada do regime controlado pelo mulá Mohammad Omar, um aliado e protetor de Osama bin Laden, desejando êxito aos grupos de oposição, nos quais incluiu o que chamou "membros do Taleban que são contra a Al-Qaeda". Leia o especial

Agencia Estado,

09 Outubro 2001 | 22h01

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