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Malta detém 10 suspeitos pelo assassinato da jornalista Daphne Caruana

De acordo com o jornal 'Times of Malta', todos os detidos são de nacionalidade maltesa e têm antecedentes penais; polícia do país foi assistida por outros corpos de segurança como o FBI e o Escritório Europeu de Polícia (Europol) na investigação

O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2017 | 15h40

VALETA - As autoridades de Malta detiveram dez suspeitos do assassinato da jornalista investigativa Daphne Caruana Galizia, em outubro, anunciou nesta segunda-feira, 4, o primeiro-ministro do país, Joseph Muscat.

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As detenções ocorreram na manhã desta segunda em diversos locais da ilha como Marsa, Zebbug e Bugibba, todos os suspeitos são de nacionalidade maltesa e têm antecedentes penais, informa o jornal "Times of Malta" em seu site.

Em um primeiro momento, Muscat havia informado sobre a detenção de oito pessoas, mas mais tarde informou que outros dois sujeitos também foram presos em conexão com o assassinato.

O primeiro-ministro também explicou que a operação policial continua em curso. "As autoridades mantêm todas as áreas de interesse sob controle desde as primeiras horas desta manhã e as buscas seguem em andamento", disse Muscat em seu perfil oficial do Twitter.

Os investigadores consideram que estes sujeitos prepararam a bomba que explodiu no carro da jornalista, de 53 anos, que investigava possíveis casos de corrupção no governo e os laços que o narcotráfico tinha estabelecido na ilha, entre outros assuntos.

Muscat não quis dizer se acredita que os detidos planejaram o atentado e ressaltou a necessidade de ser "extremamente cauteloso" a este respeito.

A Polícia de Malta foi assistida por outros corpos de segurança como o FBI e o Escritório Europeu de Polícia (Europol).

O ministro do Interior, Michael Farrugia, qualificou de impecável o trabalho realizado pelos agentes malteses e por seus colegas estrangeiros para esclarecer este crime "bárbaro". "Obrigado a todas as forças de segurança", disse Farrugia no Twitter.

A jornalista, que investigava também a relação da classe política maltesa, incluído o primeiro-ministro e sua esposa, com os "Panama Papers" e outros casos de corrupção, morreu após a explosão de seu carro a poucos metros de sua casa.

O crime comoveu a opinião pública maltesa e Muscat pediu a colaboração internacional para esclarecê-lo ao crer que suas razões "estavam fora de Malta" e ofereceu um milhão de euros para quem facilitar informação.

Os filhos da jornalista, Matthew, Andrew e Paul, dispararam contra o Governo de Malta, que tacham de país "mafioso", e reivindicaram a renúncia de Muscat e de outros altos cargos do Estado ao considerá-los responsáveis da impunidade que segundo eles reina na ilha perante o crime e as irregularidades. / EFE e AFP

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