Manifestantes pedem renúncia de Préval

Polícia disparou para o alto e lançou bombas de gás durante os protestos mais violentos desde o terremoto de janeiro

PORTO PRÍNCIPE, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2010 | 00h00

Mais de mil haitianos saíram ontem às ruas da capital Porto Príncipe para pedir a renúncia do presidente René Préval e protestar contra seu plano de permanecer no poder por três meses além do mandato normal, que terminaria no dia 7 de fevereiro.

A polícia disparou para o alto e lançou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que responderam com paus e pedras, na frente das ruínas do antigo palácio presidencial, destruído pelo terremoto do dia 12 de janeiro.

Pelo menos um manifestante foi ferido por um disparo de arma de fogo, de acordo com o porta-voz da polícia haitiana, Frantz Lerebours.

O país mais pobre das Américas é também um dos mais instáveis politicamente, situação agravada pelo desastre que provocou a morte 230 mil pessoas e o deslocamento interno de mais de 1,6 milhão de haitianos. As eleições legislativas de fevereiro foram canceladas e um terço dos senadores, cujo mandato venceu ontem, simplesmente continuou em seus cargos por falta de substitutos.

A extensão do mandato presidencial foi aprovada na Câmara há uma semana e ontem pelo Senado. Préval diz que não há condições para que as eleições de novembro ocorram - a sede da Justiça eleitoral foi destruída pelo tremor de 7 graus na escala Richter. No entanto, os críticos do presidente alegam que ele estaria se valendo do desastre para evitar uma vitória da oposição.

"Préval usa o drama que o nosso país está vivendo para criar uma oportunidade para si mesmo", disse Claudy Louis, professora de 29 anos. "Em vez de olhar para o nosso povo, ele rapidamente mudou as regras para beneficiar um pequeno grupo de burgueses que ficam ao redor dele", acrescentou.

Os haitianos também reclamam da proposta de Préval de estender indefinidamente o Estado de exceção, que inicialmente era de 18 meses.

Oposição. Ontem, centenas de manifestantes saíram às ruas com cartazes e fotos do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, que deixou o poder em 2004 para exilar-se na África do Sul. Aristide diz que foi vítima de um golpe de Estado liderado pelos EUA e promete voltar ao Haiti. / REUTERS, AFP E EFE.

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