Multidões protestam contra presidente do Equador

Marchas contra novas propostas tributárias de Correa ocorreram em várias cidades, entre elas Guayaquil, onde foi liderada pelo prefeito Jaime Nebot

O Estado de S. Paulo

25 Junho 2015 | 21h56

QUITO - Milhares de manifestantes tomaram as ruas da maior cidade equatoriana, Guayaquil, para protestar contra as políticas do presidente Rafael Correa, especialmente contra suas novas propostas tributárias. As manifestações, lideradas pelo prefeito Jaime Nebot, são parte da terceira semana de protestos contra o governo de Correa. Nesta quinta-feira, também ocorreram grandes protestos na capital do país, Quito, e em outras cidades, como preparação para a paralisação nacional, cuja data ainda não foi definida.

Emissoras de televisão mostraram imagens de milhares de pessoas na principal avenida de Guayaquil, levando bandeiras e cartazes com dizeres como "Chega de abusos, chega de impostos" e "Equador não é Venezuela". Em um discurso duro, Nebot disse que o Equador passa por tempos difíceis, não apenas política, mas ideologicamente, e acusou o governo central de dividir os equatorianos, seguindo o caminho do regime venezuelano.

Os protestos contra o governo eram originalmente organizados por meio de redes sociais, mas agora são também liderados por opositores, sindicatos, populações indígenas e ativistas sociais.

Um projeto de lei para taxar heranças em até 77,5% e outro de um imposto de 75% sobre ganhos de capital do setor imobiliário foram o estopim dos protestos, que incluem reclamações contra as políticas econômicas do governo e contra o que os críticos descrevem como a posição ditatorial de Correa. O presidente diz que os protestos buscam desestabilizar seu governo e os novos impostos buscam garantir mais igualdade.

Economistas dizem que as leis afetarão negativamente a economia equatoriana e as famílias, em uma nação onde 95% dos negócios são familiares. Na semana passada, Correa retirou temporariamente do Parlamento os dois projetos de lei, antes da visita do papa Francisco ao país, entre 6 e 8 de julho. Os manifestantes querem que as leis sejam definitivamente arquivadas.

O partido governista, Alianza País, controla 100 das 137 cadeiras da Assembleia Nacional. Os protestos contra as políticas de Correa devem seguir pelo menos até julho, quando sindicatos decidem a data de uma grande greve contra o governo.

Correa, que há três meses é alvo de protestos em razão de suas políticas e estilo de governo, registrou este mês o índice de popularidade mais baixo de seu governo (46%) desde que assumiu o poder, em 2007, de acordo com uma pesquisa Cedatos-Gallup publicada nesta quinta-feira. A sondagem revelou uma queda de 5 pontos porcentuais na popularidade do presidente em relação a maio. / Dow Jones Newswires

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