AFP PHOTO / EITAN ABRAMOVICH
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Marinha argentina confirma explosão após último contato de submarino

Dor e revolta tomam conta de parentes dos marinheiros; governo promete continuar buscas até encontrar a embarcação, desaparecida desde a semana passada

Luiz Raatz, Enviado Especial / Mar del Plata, Argentina, O Estado de S.Paulo

23 Novembro 2017 | 21h48

Quase 100 parentes dos 44 tripulantes do submarino ARA San Juan receberam nesta quinta-feira na Base Naval de Mar del Plata a notícia que mais temiam. O ruído detectado no dia 15 por aeronaves americanas era consistente com uma explosão. Imediatamente, a dor tomou conta do alojamento que abrigava as famílias dos militares. Muitos disseram ter perdido a esperança. 

O símbolo do drama vivido pelas famílias dos marinheiros foi uma garota identificada pela imprensa argentina apenas pela blusa cinza que vestia. Após receber a notícia, ela caiu de joelhos, desesperada, e chorou. A imagem rapidamente se espalhou pelo mundo.

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Em Buenos Aires, o porta-voz da Marinha fechou a cara antes de fazer o anúncio. Na noite de quarta-feira, Enrique Balbi havia informado sobre uma “anomalia hidroacústica” detectada no local do desaparecimento do ARA San Juan, na semana passada. “No momento, não posso confirmar se houve ou não uma explosão. A Marinha está investigando.” 

Revolta. Nesta quinta-feira, Balbi insistiu no eufemismo. Disse que se tratava de um “evento curto, violento e não nuclear”. As firulas do porta-voz da Marinha argentina eram uma tentativa de suavizar a dor de um país. Uma explosão a 430 km do litoral, na altura da Península Valdés, provavelmente destruiu o submarino ARA San Juan e matou todos os seus 44 tripulantes. 

Itatí Leguizamón, mulher de Germán Oscar Suárez, operador de radar do San Juan, era uma das mais revoltadas. “Eles são perversos e nos manipularam. Nunca disseram a palavra ‘mortos’. Mas o que podemos entender?”, gritou assim que soube da confirmação da explosão.

Explosão. Enquanto os parentes se consolavam em Mar del Plata, a Marinha argentina tentava explicar em Buenos Aires como chegou à conclusão de que houve uma explosão no local do desaparecimento do San Juan. 

O embaixador da Argentina na Áustria, Rafael Grossi, especialista em atividades nucleares e membro da Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO, na sigla em inglês), com sede em Viena, pediu ajuda à organização assim que a Marinha perdeu o contacto com o submarino, na semana passada.

A CTBTO tem sensores ao redor do mundo para monitorar explosões e verificar se algum país está violando o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares. Ao levantar os registros de sonares e estações hidroacústicas da região, a organização pôde concluir que o ruído detectado no Atlântico Sul, no dia 15, era “compatível” com o de uma explosão. 

Nesta quinta-feira, o vento forte, o frio de 14ºC e o céu nublado em Mar del Plata deixaram o dia ainda mais lúgubre na base naval. Após a divulgação de imagens de satélite, mostrando uma explosão em um local isolado do Atlântico Sul, alguns parentes dos tripulantes disseram ter fé em um milagre. A maioria na base naval, no entanto, já perdeu as esperanças. 

 

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