MArinha Argentina, via AP
MArinha Argentina, via AP

Marinha investiga se ruído detectado onde submarino desapareceu foi de explosão

Autoridades dizem ter detectado ‘anomalia hidroacústica’ 55 quilômetros ao norte da área em que foi feito o último contato

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2017 | 23h11

BUENOS AIRES - O porta-voz da Marinha argentina, Enrique Balbi, revelou nesta quarta-feira à noite que está sendo “exaustivamente investigada” uma “anomalia hidroacústica” registrada três horas após a última comunicação do submarino ARA San Juan. Segundo o militar, o ruído foi registrado 55 km ao norte do local do último contato com a base, quando a embarcação informou sobre problemas elétricos. 

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Questionado se poderia se tratar de uma explosão, o porta-voz disse que não sabia nem mesmo se tratava do submarino e não faria “conjecturas”. Ele revelou que o ruído ocorreu relativamente perto das antenas que registraram a chamada satelital do submarino e vários navios e aviões foram enviados à área, incluindo um P8 da Marinha dos EUA e uma aeronave da Força Aérea Brasileira com sensores magnéticos. Eles passariam as primeiras horas de hoje esquadrinhando a região.

Depois de sete dias de buscas, parentes dos tripulantes do Ara San Juan, submarino argentino desaparecido no Atlântico, começam a perder as esperanças e a criticar o governo pela demora no resgate. “Não posso acreditar que o próprio país que eles serviram vá deixá-los morrer assim”, disse na quarta-feira, dia 22, Elena Alfaro, irmã de Cristian Ibáñez, marinheiro responsável pelo radar da embarcação.

A impaciência dos parentes dos tripulantes do ARA San Juan é cada vez maior. “Lá dentro (na base onde estão as famílias) é um velório. Sinto que estamos esperando por um corpo, mas não quero enterrá-lo, quero que esteja vivo. Eu imploro ao governo que não os deixe morrer”, disse Elena, aos prantos. 

Na quarta, dia 22, pela primeira vez, ela falou com jornalistas ao chegar à Base Naval de Mar del Plata, balneário a cerca de 400 quilômetros de Buenos Aires, onde a Marinha coordena as buscas pelo submarino. “Sinto uma dor terrível pelas decisões que foram tomadas. Por que tanto protocolo?”

O porta-voz da Base Naval de Mar del Plata, Gabriel Galeazzi, disse que a Marinha “jamais subestimou a emergência da situação” e disse que os parentes receberam desde o começo as informações corretas. “Trouxemos os parentes para cá para eles ficarem a par de cada informação e cada novidade das buscas”, disse Galeazzi. 

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O professor Claudio Rodríguez, irmão do marinheiro Hernán Rodríguez, de 44 anos, que há 11 anos trabalha na equipe do ARA San Juan, ainda tem esperanças de encontrar o irmão. “São várias pessoas envolvidas na operação, mas não há nada ainda”, lamentou o professor, entrevistado pelo jornal La Nación. “Não encontram nenhum pedaço de nada, nenhuma chamada de rádio. Temos acesso aos comandantes da base naval, e nos dão todos os detalhes, mas nada de concreto.”

A Marinha argentina admitiu ontem que não tem nenhum vestígio do submarino. “No momento, não temos nem sinais, nem rastros, nem pistas de onde está o ARA San Juan”, afirmou ontem em entrevista coletiva o porta-voz da Marinha argentina, Enrique Balbi. “Os sinais detectados e os ruídos captados foram deixados de lado depois de pesquisas na região de onde eles vinham.”

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As buscas pelo submarino entraram ontem em uma fase crítica. Desde o dia 15, especialistas da Marinha explicaram mais de uma vez que, em condições normais, o submarino poderia passar até 90 dias sem ajuda externa, em relação a combustível, água, comida e oxigênio. Para tanto, a embarcação tem de emergir para ativar o snorkel e, assim, liberar os gases internos e dos motores, tóxicos à tripulação. Se a embarcação não utilizar o snorkel para renovar o ar, ela teria sete dias de oxigênio.

“A chave é o oxigênio. Se o ambiente fica fechado, devemos controlar a atmosfera para que o nível de oxigênio que cai seja reabastecido, e para remover o dióxido de carbono produzido”, explicou Gustavo Mauvecin, médico da Marinha. 

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Segundo ele, a tripulação tem mecanismos para consumir menos ar e para injetar artificialmente oxigênio. “Os submarinistas são pessoas treinadas. Um dos recursos que eles têm dentro do submarino para consumir a menor quantidade possível de oxigênio é enviar a equipe para dormir ou ficar em repouso.”

Em meio ao clima de incertezas, os parentes não escondem a angústia. “Nunca nos preparam para isso”, escreveu em sua conta no Twitter Jesica Gopar, mulher do tripulante Fernando Santilli, com quem tem um filho. “Estamos à espera de um milagre. Estou pedindo ajuda psicológica. Estou perdendo as esperanças e penso como será tudo sem ele (Fernando). Minha alma dói. Quero morrer.”

A operação de resgate entra nesta quinta-feira, dia 23, no oitavo dia – um além do prazo para se esgotar o oxigênio. Com magnitude jamais vista na região, a operação envolve 4 mil militares de vários países, incluindo EUA, Reino Unido, França, Alemanha, Brasil, Chile, Peru, Colômbia e Uruguai. / AFPREUTERSAP EFE

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