EFE/Silvina Frydlewsky
EFE/Silvina Frydlewsky

Massa, o terceiro que tornou-se decisivo

Divisão de votos de ex-prefeito de Tigre deve definir futuro líder 

O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2015 | 01h55

Em Tigre, cidade turística a 50 quilômetros de Buenos Aires, a maior parte dos moradores acreditava neste domingo, 25, que o ex-kirchnerista Sergio Massa chegaria ao segundo turno. Ele foi duas vezes prefeito da “Veneza argentina” – apelido dado por ocupar um delta – e na reeleição conquistou 73% de apoio. Os votos dele decidirão a eleição argentina. 

O candidato da coalizão UNA evitou a polarização anunciada por analistas políticos e chegou a apresentar uma ascensão nas pesquisas há um mês, fase em que a campanha do conservador Mauricio Macri sofreu com denúncias de corrupção que afastaram seu principal candidato a deputado, Fernando Niembro. Chegou a haver dúvida se Massa alcançaria Macri, o que não ocorreu. Ao inibir a subida de Macri, Massa, que rompeu com o kirchnerismo em 2013, foi apontado como um peso capaz de favorecer uma vitória kirchnerista no primeiro turno – por atrapalhar a aproximação de Macri de Daniel Scioli.

Há uma semana, a maior parte das pesquisas divulgadas apontava uma vitória de Scioli contra Macri em um segundo turno. A diretora da consultoria M&F, Mariel Fornoni, afirmou que a diferença seria de três pontos a favor do kirchnerista, mas nem a considerava porque um segundo turno, segundo ela, “seria embaralhar e dar as cartas de novo”. Segundo o sociólogo Ricardo Rouvier, seria conveniente a Scioli afastar-se de Cristina para buscar o voto do eleitor moderado que não conseguiu. “É preciso ver como o eleitor reagirá ao resultado”, diz Rouvier, que concordar ser difícil prever um ganhador.

Embora elogiem suas duras propostas contra a criminalidade, os eleitores de Massa nunca se puseram de acordo sobre sua segunda opção no caso da necessidade de um segundo turno. Segundo o analista Eduardo Fidanza, da consultoria Poliarquía, esses votos seriam distribuídos em 60% para o conservador e 40% para o kirchnerista. 

No primeiro grupo está o aposentado Ramón Morales, que esperava um dos barcos que vai para as ilhas da região. “Teria de escolher Macri. Scioli continuaria tudo o que Cristina fez, seria a mesma coisa. Esse governo protege os presos, que ganham mais que os aposentados”, disse Morales, cujo salário é de 4.100 pesos (R$ 1.671). Ser visto como continuidade, apesar de ser mais moderado, é o principal argumento contra Scioli. 

O motorista Jorge González integra o segundo grupo, que preferiria Scioli no poder. “Fui assaltado quatro vezes e Massa é daqui, por isso meu voto nele. Em Macri não poderia votar, está com a classe média alta. Vejo Scioli mais humilde”, afirmou o homem de 64 anos, ao justificar o voto.

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