EFE/Andy Rain
EFE/Andy Rain

Premiê britânica antecipa eleições para junho em manobra pré-Brexit

Aproveitando que o Partido Conservador está à frente do Trabalhista nas pesquisas, Theresa May tenta ampliar sua legitimidade na negociação sobre a saída do Reino Unido da UE

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

18 Abril 2017 | 07h48
Atualizado 18 Abril 2017 | 21h12

A primeira-ministra britânica, Theresa May, surpreendeu e anunciou nesta terça-feira a convocação de eleições parlamentares antecipadas para 8 de junho. A votação decidirá a nova formação do Parlamento e, em consequência, o nome do novo premiê. 

A decisão faz parte de uma estratégia política do Partido Conservador, que nunca esteve tão à frente, segundo pesquisas, do Partido Trabalhista, cujo líder, Jeremy Corbyn, tem baixa popularidade. De quebra, a premiê pode ampliar sua legitimidade para negociar o divórcio entre Reino Unido e União Europeia, o Brexit. 

 

Em um breve pronunciamento, a premiê, que assumiu o poder 20 dias após o plebiscito do Brexit, em razão da renúncia de David Cameron, em julho de 2016, disse que o país vive um momento crucial de ruptura com Bruxelas e as divisões precisam ser superadas antes da data prevista originalmente para a votação, em 2020.

“Neste momento de enorme significado nacional, em que deveríamos ter união em Westminster, temos divisão. O país está unido, mas o Parlamento, não.” 

Segundo ela, a oposição, formada pelos partidos Trabalhista, Nacional Escocês e Liberal-Democrata, estaria colocando em dúvida sua legitimidade para conduzir as negociações com a UE. May disse que o único caminho para garantir a estabilidade é realizar eleições. “Será uma escolha entre uma liderança forte e estável, em favor do interesse nacional, comigo como primeira-ministra, ou uma coalizão de governo fraca e instável”, disse.

Na prática, mais do que formar uma maioria mais ampla – o governo já conta com 20 deputados além do mínimo necessário para formar um gabinete –, a convocação de eleições antecipadas revela uma jogada política. Em primeiro lugar, ela busca ampliar sua legitimidade, ganhando eleições e reforçando seu poder nas negociações com a União Europeia. Nesse caso, ela poderia justificar com mais facilidade a conta da separação, que pode custar entre € 25 bilhões e € 60 bilhões aos cofres britânicos.

Com a eleição antecipada, May também espera dirimir o movimento de britânicos que pedem um novo referendo sobre o divórcio entre Londres e Bruxelas. Por fim, a jogada leva em consideração a fraqueza da oposição e a popularidade de seu governo.

Uma pesquisa do instituto Comres indicou que os conservadores têm 46% das intenções de voto, enquanto os trabalhistas têm 25%. Já os liberais – principal partido contra o Brexit – somariam 11%. Para 50% dos britânicos, May é melhor premiê do que Corbyn seria – ele tem apenas 14% da preferência.

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