May sofre dura derrota no Parlamento britânico

Desconfiados de promessa da premiê, deputados aprovam emenda ao Brexit que exige aprovação parlamentar ao processo de saída do Reino Unido da UE

O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2017 | 05h00

LONDRES - O governo da primeira-ministra britânica, Theresa May, sofreu uma dura derrota nesta quarta-feira,14, em relação ao Brexit, o “divórcio” do Reino Unido da União Europeia. Os parlamentares decidiram que qualquer acordo em relação à saída do país do bloco europeu terá de ter sua aprovação – o que, segundo o gabinete da premiê, pode atrasar e colocar em risco o processo.

May já estava enfraquecida, após ter perdido a maioria no Parlamento nas eleições que convocou em junho. A premiê tinha prometido que ambas as Casas votariam sobre o acordo final do Brexit, mas resistia a se comprometer por escrito que essa votação seria vinculante. Na quarta, May reiterou a promessa.

Foi o deputado Dominic Grieve – do Partido Conservador, o mesmo da premiê – que apresentou a emenda solicitando a votação “verdadeiramente significativa” do Parlamento em relação ao Brexit. Em declarações à Sky News, o parlamentar negou ser um rebelde, esclarecendo que exigir por escrito e explicitamente a votação vinculante garante que a primeira-ministra cumpra sua promessa – que, poderia ser quebrada. 

“O governo nos disse que, no fim do ano que vem, haverá um processo no Parlamento para validar e aprovar o acordo”, afirmou Grieve. A emenda que deu aos 650 deputados britânicos maior influência sobre o Brexit foi aprovada com 309 votos – 305 parlamentares votaram contra. Até o último momento de um intenso debate na Câmara Baixa, a equipe de May tentou convencer os deputados de seu partido a desistirem de suas exigências.

Reação

“Estamos desapontados pelo fato de o Parlamento ter votado a favor dessa emenda, apesar das fortes garantias que oferecemos”, declarou o governo, em comunicado. “Essa emenda não nos impede de preparar nossa legislação para o dia da saída. Determinaremos agora se mudanças futuras serão necessárias para que a lei (do Brexit) garanta que o processo cumpra seu propósito fundamental.”

O Reino Unido tem até 29 de março de 2019 para concluir o Brexit. Após ter chegado a acordo em relação a temas-chave, como o status da fronteira irlandesa, a compensação financeira a ser paga pelos britânicos e os direitos dos expatriados, May deve viajar nesta quinta para Bruxelas, onde tem reunião marcada com representantes da Comissão Europeia. / REUTERS e AFP 

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