LEONARDO MUÑOZ/EFE
LEONARDO MUÑOZ/EFE

Médicos descobrem alterações neurológicas em diplomatas americanos em Cuba

EUA investigam qual enfermidade misteriosa atinge 24 membros do corpo consular em Havana

O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2017 | 16h01

WASHINGTON - Médicos que cuidam dos 24 diplomatas americanos que relataram distúrbios auditivos  enquanto trabalhavam em Cuba descobriram alterações neurológicas nos cérebros dos pacientes. É o desdobramento mais recente no caso, depois de a versão de ataques sônicos apresentada pelo governo americano ter sido contestada.

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Exames obtidos pela Associated Press indicam alterações na massa branca cerebral dos diplomatas – o líquido que permite a comunicação entre várias partes do cérebro. Esse dano é a evidência mais específica dos misteriosos sintomas apresentados pelos diplomatas, que incluem perda de acuidade visual e sonora e desorientação espacial. 

Após o caso ter sido descoberto em agosto, relatos de “ataques sônicos” contra os diplomatas foram a justificativa mais usadas para o que os acometeu. As descobertas de médicos das Universidades de Miami e da Pensilvânia, no entanto, indicam, segundo o FBI, que os sons ouvidos pelos diplomatas podem ser sintomas e não as causas do problema. 

Autoridades americanas que investigam o caso agora evitam falar de ataques sônicos, mas seguem em busca do que pode ter afetado a saúde de seus diplomatas.   Médicos, o FBI e outras agências de inteligência agora tentam montar o quebra-cabeças de o que pode ter acontecido em Cuba. O governo cubano nega qualquer envolvimento no caso. O secretário de Estado Rex Tillerson diz “estar convencido de que houve ataques propositais” contra os diplomatas. 

Os médicos conseguiram determinar que o som mais frequente reportado pelos pacientes é agudo e metálico. Alguns deles estavam dormindo e acordaram ao ouvir esse som, com uma sensação similar a de ser golpeados por uma rajada de ar de uma janela aberta. Os diplomatas mais afetados pela misteriosa enfermidade tiveram problemas visuais.

Desde que o problema foi tornado público em agosto, não houve novos casos registrados. Os diplomatas afetados têm tido a saúde monitorada com exames periódicos e provavelmente o farão pelo resto da vida. 

“Nunca foi comprovado que ondas acústicas são capazes de alterar tecido cerebral”, diz a professora de engenharia biomédica Elisa Konofagou, da Universidade de Columbia. “Isso me surprenderia muito, a medicina moderna frequentemente usa ultrasons no cérebro sem problemas.”

Cuba nega que tenham havido ataques e pede provas ao governo de Donald Trump de que algum mal tenha acometido os diplomatas. Os exames que evidenciam o impactam a massa branca seriam a primeira delas. /AP

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