AFP / PIERRE ANDRIEU
AFP / PIERRE ANDRIEU

Médicos Sem Fronteiras admite 24 casos de assédio ou abuso sexual em 2017

A ONG criada na França disse que recebeu 146 denúncias ou alertas que foram investigados

O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 18h11

PARIS - A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou nesta quarta-feira que comprovou a ocorrência de 24 casos de assédio ou abuso sexual em 2017 dentro de sua organização, num momento em que acusações de estupros visando empregados da Oxfam e a ONU abalam a reputação do setor de ajuda humanitária.

A ONG criada na França, que tem 40 mil funcionários permanentes em todo o mundo, indicou em um comunicado que recebeu 146 denúncias ou alertas.

Desses, "40 casos foram identificados como casos de abuso ou assédio", sexual ou não, ao final de investigações internas, e, entre esses 40 casos, 24 foram casos de assédio ou abuso sexual", segundo a ONG.

Destes 24 casos, 19 pessoas foram demitidas, acrescentou a organização. "Em outros casos, os funcionários foram sancionados por medidas disciplinares ou suspensões", aponta o comunicado.

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Mas, de acordo com MSF, os 24 casos relatados não incluem "casos diretamente geridos por equipes no campo e não relatados à sede" operacional em Paris.

O número real de casos de assédio ou abuso sexual pode, portanto, ser potencialmente maior.

"Embora os relatos de abuso estejam crescendo constantemente, MSF está ciente de que os abusos cometidos na instituição são subestimados", reconhece a associação.

MSF traz essa revelação quando o setor humanitário é abalado por revelações sobre a ONG britânica Oxfam.

Vários funcionários da poderosa confederação de cerca de 20 ONGs presentes em mais de 90 países são acusados ​​de estupros durante missões humanitárias no Sudão do Sul, abusos sexuais na Libéria e, entre outras coisas, de recorrerem a prostitutas no Haiti, assim como no Chade.

Segundo uma investigação interna da organização sobre 120 pessoas em 3 países entre 2013 e 2014, ou seja, entre 11% e 14% do pessoal atuante foram vítimas ou testemunhas de agressões sexuais. No Sudão do Sul, quatro sofreram estupros ou tentativas de estupro.

A diretora adjunta da Oxfam, Penny Lawrence, renunciou na segunda-feira em razão do escândalo no Haiti que data de 2011. O caso está ligado a eventos ocorridos durante uma missão humanitária por ocasião do terremoto que deixou mais de 200 mil mortos em 2010.

A Médicos Sem Fronteiras é uma associação médica humanitária internacional, criada em 1971 em Paris por médicos e jornalistas. Intervém em áreas afetadas por conflitos, epidemias ou desastres naturais.

A associação, que garante sua independência obtendo recursos quase que exclusivamente de doações privadas, está presente em 71 países, incluindo Iraque, Iêmen, República Democrática do Congo e Sudão do Sul.

A associação recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1999. / AFP

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