REUTERS/Tolga Bozoglu
REUTERS/Tolga Bozoglu

Merkel apoia adesão da Turquia à UE

Chanceler da Alemanha, que sempre se opôs à entrada de Ancara no bloco, agora precisa dos turcos para conter o fluxo de refugiados sírios

O Estado de S. Paulo

18 Outubro 2015 | 20h42

ANCARA - A Alemanha está pronta para ajudar a Turquia a conseguir o acesso à União Europeia, afirmou neste domingo,m 18, a chanceler do país, Angela Merkel. No entanto, a ajuda para a entrada dos turcos no bloco teria uma contrapartida: a Turquia terá de cooperar para travar fluxo de refugiados que tentam entrar na Europa.

“Nenhum país pode suportar o peso dos refugiados sozinho”, disse Merkel durante um encontro com o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, em Istambul. “O trabalho tem que ser dividido. A imigração tem de ser regulada e coordenada. Devemos encontrar formas de apoiar a Turquia e possibilitar uma forma mais adequada de imigração para a UE.” 

O acordo de princípios entre UE e Turquia envolve uma ajuda de 3 bilhões de euros para Ancara lidar com os 2,2 milhões de refugiados que entram no país, a maioria sírios que fogem do conflito civil. Segundo Merkel, os termos do acordo já estão acertados, faltando apenas detalhes para o anúncio oficial. 

“A Turquia desempenha um papel fundamental para enfrentar o fluxo de refugiados”, disse a chanceler. “A maioria dos refugiados de guerra que vem para a Europa viaja pela Turquia. Não seremos capazes de ordenar e conter o movimento de refugiados sem trabalhar em conjunto com os turcos.”

Davutoglu disse que a prioridade do país é evitar a imigração ilegal e reduzir o número de pessoas que cruzam a fronteira da Turquia. “Sobre isso, tivemos uma conversa muito proveitosa com a UE”, disse o premiê, que defendeu a presença do governo turco na próxima cúpula de líderes do bloco – Erdogan chegou a participar, mas desde 2004 não é mais convidado. 

“Espero que a Turquia aparece na próxima foto da família da UE”, afirmou Davutoglu. Além da questão dos refugiados e da ajuda econômica, Ancara também espera a isenção de visto para cidadãos turcos entrarem nos países do bloco. 

Durante anos, a Turquia sempre reivindicou a adesão à UE. A Alemanha, liderada por Merkel, no entanto, sempre foi o maior obstáculo. Ancara fez pela primeira vez um pedido formal em 1987, mas só em 2004 deu sinal verde para as negociações sobre a entrada do país no bloco. Desde então, o diálogo se arrasta. Nos últimos anos, o governo turco, liderado pelo presidente Recep Tayyip Erdogan, chegou a desistir da reivindicação e voltou sua atenção para outras parcerias, especialmente no Oriente Médio e na Ásia.

O maior obstáculo agora à inclusão da Turquia no bloco europeu seria o Chipre, que tem usado seu poder de veto para barrar as discussões. A Turquia invadiu o norte da ilha em 1974 em resposta a um golpe de Estado apoiado pela então ditadura grega.

Oposição. A visita de Merkel à Turquia, que começou hoje, é criticada pela oposição na Alemanha. De acordo com os rivais da chanceler, a visita fortalece Erdogan e o partido dele, o islâmico conservador AKP, duas semanas antes das eleições parlamentares. / REUTERS e AP

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