Julian Stratenschulte/AP
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Merkel cobra Obama ao ser informada de que teve seu celular grampeado

Após receber relatos de seu próprio governo de que a NSA vigiou seu telefone, chanceler alemã liga para líder americano e recebe garantia de que EUA ‘não monitoram’ suas comunicações

O Estado de S. Paulo,

23 Outubro 2013 | 23h00

BERLIM - Pouco após receber informações de que a inteligência americana teria grampeado seu celular pessoal, a chanceler alemã, Angela Merkel, ligou ontem para o presidente Barack Obama exigindo esclarecimentos. Obama assegurou a Merkel que os EUA não estão espionando suas comunicações, sem dar garantias de que o telefone da líder alemã não tenha, no passado, sido alvo de interceptações.

A chanceler pediu "imediatas e abrangentes" explicações sobre as atividades da Agência de Segurança Nacional (NSA) contra a Alemanha, segundo um comunicado do governo de Berlim. "(Merkel) deixou claro que vê essas práticas, caso sejam comprovadas, como completamente inaceitáveis e as condena de forma inequívoca."

O desgaste entre Berlim e Washington é mais um capítulo da crise desencadeada pelas revelações do ex-agente americano Edward Snowden, que expôs detalhes sobre o aparato de inteligência eletrônica que NSA opera em escala global, mesmo contra aliados americanos.

No dia anterior, ao receber o em Paris o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, o presidente François Hollande havia cobrado explicações sobre notícias publicadas pelo jornal Le Monde de que missões diplomáticas e sistemas informáticos do governo da França tinham sido alvo dos espiões americanos. Hollande quer que esses escândalos constem da agenda da cúpula do Conselho Europeu, que será realizada hoje. México e Brasil também já se irritaram com a espionagem de Washington.

A revista alemã Der Spiegel havia publicado informações sobre as práticas de espionagem eletrônica dos EUA contra a Alemanha. No entanto, as informações de que o telefone pessoal da chanceler estaria grampeado partiram do próprio governo alemão. Segundo a Spiegel, Merkel está levando "muito a sério" essas informações. O governo alemão disse estar mantendo reuniões de alto nível nos últimos dias com representantes da Casa Branca para discutir o caso.

Revés. Em mais um sinal do estrago provocado pelas denúncias, deputados europeus aprovaram ontem um texto recomendando que o bloco amplie garantias de privacidade digital e suspenda um acordo pelo qual a inteligência americana tem acesso a uma base de dados com informações financeiras da Europa. O tratado entre Washington e Bruxelas oficialmente tem por objetivo investigar movimentações de dinheiro de suspeitos de terrorismo, rastreando o chamado código Swift - usado normalmente em transferências internacionais. Mas, segundo a maioria dos integrantes do braço legislativo da União Europeia, há provas de que o governo americano coletou informações desvinculadas da luta antiterror.

A decisão do Parlamento Europeu não tem poder vinculante - ou seja, resume-se a uma recomendação aos 37 governos do bloco. A Comissão Europeia, equivalente ao poder executivo da UE, disse ainda estar aguardando garantias dos EUA e negou que suspenderá, nos próximos dias, o acordo. / REUTERS e AP

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