AFP PHOTO / STEFFI LOOS
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Alemanha liga atentado contra ônibus de time de futebol a radicais islâmicos

Investigação tem como foco dois homens, um dos quais foi preso, e uma carta que detalhava o ataque, além de exigir recuo na ação militar alemã contra o Estado Islâmico; jogador que teve braço quebrado por estilhaços passou por cirurgia

O Estado de S. Paulo

12 Abril 2017 | 15h30

BERLIM - As autoridades da Alemanha prenderam  nesta quarta-feira um suspeito de ter ligação com o ataque a bomba na terça-feira contra o ônibus que transportava jogadores do Borussia Dortmund, um dos principais times de futebol do país. A investigação do ataque tem como foco “dois suspeitos da esfera islamita, um dos quais foi detido”, afirmou à imprensa a procuradoria federal, acrescentando que ela parte do princípio de que o motivo do ataque foi terrorista.

 O Stadt Anzeiger, um jornal da região de Dortmund, afirma que os dois suspeitos são um iraquiano de 25 anos, residente em Wuppertal, e um alemão de 28 anos, oriundo de Fröndenberg. “Levando em conta o modus operandi, podemos partir do princípio de que se trata de um ataque de caráter terrorista”, afirmou a procuradoria, acrescentando que a polícia encontrou no local do ataque três cartas idênticas de reivindicação, que descreviam como ocorreria o ataque.

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 O ministro do Interior do Estado da Renânia do Norte-Westfália, Ralf Jaeger, onde fica a cidade de Dortmund, foi mais prudente e disse que a polícia investiga todas as pistas. Segundo ele, uma das cartas encontradas fala do grupo Estado Islâmico (EI) “e pode ser autêntica ou uma tentativa de criar pistas falsas”.

Segundo o jornal Süddeutsche Zeitung e os canais de televisão WDR e NDR, essa carta reivindica o ataque “em nome de Alá” e fala da participação da Alemanha na coalizão contra o EI e menciona o atentado de dezembro contra uma mercado natalino em Berlim. As cartas também pedem o fechamento da base militar americana em Ramstein, no oeste alemão.

A polícia alemã desde a véspera estudava a possibilidade de que as três explosões que ocorreram perto do ônibus em que viajavam os jogadores do Borussia Dortmund estivessem relacionadas com o extremismo islâmico. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse estar horrorizada com o ataque com explosivos contra o ônibus do time e destacou que as autoridades estão fazendo tudo para esclarecer o incidente o quanto antes.

“Ontem (terça-feira) estávamos todos horrorizados quando recebemos a notícia do ataque contra o ônibus do Dortmund com os jogadores dentro. Estamos de acordo de que se tratou de um ato repugnante”, afirmou Merkel.

Merkel também se referiu aos dois feridos na tripla explosão, o zagueiro espanhol Marc Bartra, de 26 anos, e o policial que escoltava o veículo em uma moto, e desejou-lhes “completa recuperação”. As bombas, detonadas remotamente por telefone, explodiram a cerca de 10 quilômetros do estádio onde jogadores entrariam em campo em partida pela Liga dos Campeões.

Os vidros do ônibus quebraram, Bartra sofreu uma fratura no braço e passou por uma cirurgia bem-sucedida para retirada de estilhaços. Através de seu perfil na rede social Instagram, o zagueiro publicou uma foto e disse que já se sente “muito melhor”. A equipe assegurou que “não cederá ao terrorismo”.

O incidente levou à transferência para esta quarta-feira da partida com o Monaco no estádio Signal Iduna, pelo jogo de ida das quartas de final da Liga dos Campeões. As autoridades disseram que a segurança foi reforçada para o jogo remarcado para ontem e para a segunda disputa de quartas de final da Liga dos Campeões entre o Bayern de Munique e o Real Madrid. / EFE, AFP e REUTERS

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