México reclama por traficante estar na lista da Forbes

O governo mexicano lamentou o fato de a revista Forbes decidir incluir um traficantes em sua lista das "Pessoas mais poderosas do mundo". Um porta-voz qualificou a decisão como um insulto à sangrenta luta travada entre o país e os cartéis.

AE-AP, Agencia Estado

13 Novembro 2009 | 13h33

Um porta-voz do Departamento do Interior, que monitora a segurança doméstica, descreveu a inclusão de Joaquín "El Chapo" Guzmán entre os mais poderosos como "uma justificativa para o crime". Guzmán ficou na posição número 41 da relação, de 67 nomes. "É um escárnio com a luta do governo contra o crime organizado", afirmou o porta-voz. "Isso vai não apenas contra os esforços do governo mexicano, mas contra a luta internacional para eliminar as máfias e o crime organizado."

Quase 14 mil pessoas morreram na violência relacionada ao crime organizado no México desde que o presidente Felipe Calderón lançou uma ofensiva contra os cartéis da droga em 2006. Calderón, aliás, não consta na lista da Forbes. Guzmán aparece à frente do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que está no 67º, e até do presidente da França, Nicolas Sarkozy, na 56ª posição. O narcotraficante está logo atrás do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.

Império

A estimativa é que o vasto império das drogas comandado por Guzmán valha US$ 1 bilhão, segundo a Forbes. Poucos detalhes são conhecidos do líder do Cartel de Sinaloa. Ele escapou da prisão em um caminhão de uma lavanderia, há quase uma década. A fortuna e as lendas em torno de Guzmán parecem crescer, principalmente em razão de ele continuar solto.

O Cartel de Sinaloa tomou de forma violenta rotas de narcotráfico dos rivais e construiu túneis sofisticados sob a fronteira norte-americana para transportar suas cargas. Autoridades mexicanas culpam a quadrilha por boa parte da violência ocorrida no país.

Em março, autoridades mexicanas também criticaram a decisão da Forbes de incluir Guzmán na lista dos mais ricos. Na época, Calderón afirmou, sem citar o nome da publicação, que "revistas estão não apenas atacando e mentindo sobre a situação no México, mas também louvando criminosos".

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