Munir Uz Zaman
Munir Uz Zaman

Mianmar abrirá acampamentos para muçulmanos deslocados pela violência

Quase 300 mil muçulmanos rohingyas fugiram para Bangladesh nas últimas semanas; ONU faz apelo à líder Aung San Suu Kyi por mobilização

O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2017 | 18h58

Mianmar instalará acampamentos na região noroeste do país para acolher os muçulmanos rohingyas deslocados pela violência, segundo anunciou a imprensa oficial neste sábado, 9, uma novidade desde o início da crise há 15 dias.

A Organização das Nações Unidas (ONU) deu um alerta na sexta-feira, 8, e fez um apelo à líder birmanesa Aung San Suu Kyi por "mobilização", quando o número de muçulmanos rohingyas que fugiram para Bangladesh nas duas últimas semanas somaram quase 300 mil. Outros milhares estariam nas estradas ou refugiados nas colinas perto da fronteira, sem água ou alimento.

O governo birmanês prometeu instalar três acampamentos no norte, sul e centro de Maungdaw, que foi o epicnetro de violência há duas semanas. "As pessoas deslocadas que estão, atualmente, dipersas poderão receber ajuda humanitária e assistência médica" organizadas pela Cruz Vermelha local, informou o jornal Global New Light of Myanmar.

Os civis rohingyas fogem da violência na região desde que o exército lançou uma ampla operação após ataques cometidos contra postos de controle policiais no final de agosto. As investidas teriam sido realizadas por rebeldes do chamado Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA, na sigla em inglês), que diz defender os direitos dessa minoria muçulmana.

Bangladesh fez um apelo à Birmânia para frear o êxodo. Cerca de 27 mil budistas hindus também fugiram igualmente de suas cidades. A maioria se refugiou em monastérios e escolas um pouco mais ao sul da região.

Calcula-se que desde a violência de outubro do ano passado, que fez 87 mil pessoas fugirem, mais os problemas atuais, quase um terço dos rohingyas  da Birmânia (estimados em um milhão) foram para Bangladesh.

A ONU está preocupada com a saturação das capacidades de acolhida em Bangladesh, onde emergem acampamentos improvisados ao longo das estradas, e com a aproximação de uma crise humanitária.

Por outro lado, a relatora especial da organização para Mianmar, Yanghee Lee, estimou em uma declaração à AFP nesta sexta-feira que mais de mil pessoas, principalmente rohingyas, podem ter morrido pela violência.

Ela pediu a Aung San Suu Kyi para "demonstrar ao mundo que lutou por um Mianmar livre e democrático" e "mobilizar-se" na crise. "Creio que isso será uma daspiores catástrofes que o mundo a Birmânia já viu nos últimos anos", acrescentou, lamentando a falta de acesso a essa região do oeste do país. /AFP

 

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