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Mídia americana endurece e cobra ação contra bilionário

Em sintonia com um aparente movimento do Partido Republicano para bloquear Donald Trump, a mídia americana passou a adotar uma posição mais crítica não só com o pré-candidato, mas com a própria legenda. Na segunda-feira, o Washington Post publicou um editorial no qual afirma que o silêncio dos republicanos com relação a Trump é “irracional e imperdoável”.

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Renata Tranches,
O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2016 | 07h45

“Uma vitória pode aquietar muitas reclamações, é verdade. Mas não pode e não será um antídoto para o veneno moral da campanha de Trump. Os líderes do partido que apoiam e celebram sua vitória serão cúmplices do ataque aos valores fundamentais da democracia americana”, afirmou o jornal, que tradicionalmente declara apoio ao Partido Democrata nas eleições.

Ontem, o jornal voltou a cobrar uma atitude do partido: “O impensável está começando a parecer inevitável. Na falta de um extraordinário esforço das pessoas que entendem a ameaça que ele representa, parece que Donald Trump será o indicado do Partido Republicano. Mas a história não será gentil com os líderes republicanos que falharem em fazer todo o possível a seu alcance para impedir que esse demagogo intimidador se torne seu porta-estandarte”.

Também em sua edição de ontem, o jornal The New York Times, além de mostrar a distância entre a linha conservadora ortodoxa do partido – sob a qual o presidente da Câmara, Paul Ryan, prepara a agenda republicana do próximo ano – e as posições do polêmico candidato, trouxe um exemplo concreto da incoerência entre o que diz e o que faz Trump.

Em uma reportagem, o jornal mostrou que, enquanto promete a seu público que levará de volta para os EUA os empregos “roubados por imigrantes ilegais” ou “terceirizados por grandes corporações”, ele recorre a esses trabalhadores, mão de obra barata, para preencher as vagas em seu clube privado Mar-a-Lago Club, em Palm Beach.

Segundo a reportagem, desde 2010, ele requisitou mais de 500 vistos de trabalho para empregados estrangeiros para seu estabelecimento, enquanto pelo menos 300 americanos se inscreveram para as vagas de emprego e foram recusados. Em seis anos, apenas 17 americanos foram contratados para trabalhar em cargos como copeiros, garçons, arrumadeiras, entre outros, no clube de Trump.

O site The Hill publicou, em sua seção de opinião, um artigo no qual afirma que o Partido Republicano tornou-se o “partido do fratricídio”.

“Honestamente, Abe (Abraham) Lincoln deve estar revirando seus olhos no paraíso assistindo a Donald Trump e Ted Cruz se acusando crônica e mutuamente de mentiroso, mau cristão e político sujo impróprio para o cargo, no exemplo mais recente de fratricídio agressivo que tem definido o Partido Republicano moderno”, afirma o texto, que diz que os candidatos da legenda demonstram o mesmo desprezo entre si que demonstram com os democratas. O resultado, segundo The Hill, é um partido dividido e disfuncional que “não poderá unir as pessoas ou governar a nação”.

“Do Congresso republicano à campanha presidencial, a carnificina dentro do Partido Republicano é tão extrema que lembra o enredo de ‘Eu, Claudius’, no qual vários competidores, para se tornar imperador de Roma, vão eliminando um após o outro com traição, intriga e uma dose ocasional de veneno”, conclui o texto.

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