Mídia chinesa elogia Obama, mas atritos persistem

A imprensa estatal chinesa elogiou na quarta-feira o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por ajudar a atenuar a preocupação com a ascensão da China, adotando um tom cautelosamente otimista ao final de uma visita que expôs divisões comerciais e cambiais entre as duas maiores potências mundiais.

CAREN BOHAN E PATRICIA ZENGERLE, REUTERS

18 Novembro 2009 | 09h19

Os elogios --e também alguns alertas a Obama-- partiram da agência estatal de notícias Xinhua, ao final de uma visita de quatro dias em que o norte-americano insistiu na necessidade de que a China valorize sua moeda, como forma de reequilibrar a economia mundial.

"A percepção ocidental sobre a China tem mudado gradualmente, e uma guinada positiva ocorreu ao Obama dizer mais de uma vez durante sua atual viagem pela Ásia que os Estados Unidos não buscariam conter a ascensão da China, e sim saudariam a China como um agente forte e próspero na comunidade de nações", disse a Xinhua num comentário em inglês.

O texto acrescenta que as declarações de Obama "forjaram um bom ponto de partida para novas relações sino-americanas".

Obama reuniu-se na quarta-feira com o primeiro-ministro Wen Jiabao, voltando a citar as preocupações econômicas e cambiais que já havia levado na véspera ao presidente Hu Jintao.

Ainda não foram divulgados detalhes do encontro, mas Wen e Obama adotaram um tom amistoso ao se apresentarem diante de jornalistas. "A confiança mútua nos ajudará a avançar, enquanto as dúvidas nos levarão para trás", disse Wen.

Após a reunião, Obama visitou a Grande Muralha, monumento visto com orgulho por muitos chineses, por ser símbolo de um passado imperial. Em seguida, embarcaria para a Coreia do Sul.

Apesar de toda a retórica, analistas e autoridades alertam que a visita de Obama não provocará resultados imediatos em questões delicadas, como a cotação do iuan, as políticas antidumping dos EUA --das quais a China se queixa--, ou as críticas de Washington sobre direitos humanos e a situação do Tibete.

"Haverá reveses e até conflitos entre China e Estados Unidos", disse um comentário na edição internacional do Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês.

"Será necessário o esforço constante de uma ou duas gerações, talvez várias, para trazer um progresso estável às relações."

(Reportagem adicional de Christine Kim e Jon Herskovitz em Seul e Benjamin Kang Lim em Pequim)

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