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Milhares de ucranianos fogem para a Rússia

AE - Agência Estado

26 Junho 2014 | 23h 49

À medida que um frágil cessar fogo no leste ucraniano entrou nas horas finais nesta quinta-feira, milhares de ucranianos com carros carregados de pertences fizeram fila para cruzar a fronteira com a Rússia.

Muitos deles declararam estar assustados pela segurança das crianças e desesperados para levá-las a um local seguro. Um comandante em um posto controlado por rebeldes na cidade fronteiriça de Luhansk afirmou que 5 mil pessoas passaram por lá até o fim da tarde. As famílias carregavam muitos itens domésticos, incluindo geladeiras. Ele lembrou que o fluxo de refugiados aumenta toda vez que há um salto nas hostilidades. No dia antes do anúncio do cessar-fogo, o congestionamento para cruzar a fronteira se estendia por cinco quilômetros, disse.

A Rússia afirma que dezenas de milhares de ucranianos entraram no país desde meados de abril, influenciados pelo conflito entre o governo de Kiev e separatistas no leste.

No está claro quantos ucranianos se estabelecerão na Rússia, cujo serviço de imigração anunciou na semana passada ter registrado a chegada de 90 mil ucranianos. No entanto, poucos deles pediram pelo status de refugiados.

Ataques aéreos e de artilharia pelo Exército da Ucrânia enfureceram muitos moradores, e vários dos que cruzaram a fronteira nesta quinta-feira afirmaram que estão fugindo da violência, que já matou mais de 400 pessoas desde meados de abril, segundo contas da Organização das Nações Unidas (ONU).

No entanto, nada do que as pessoas com quem os jornalistas da Associated Press conversaram indica que eles apoiam os separatistas armados, que invadiram prédios do governo e pediram à Rússia a anexação da região.

O cessar-fogo unilateral, anunciado pelo governo da Ucrânia, chega ao fim nesta sexta-feira. O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, pediu à Rússia que apoie o plano de paz com ações, e não palavras, e insistiu que Moscou pare de enviar soldados da Rússia.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, também declararam esperar mais ações de Moscou antes do encontro de líderes da União Europeia, nesta sexta-feira. Eles consideram novas sanções contra a Rússia. Fonte: Associated Press.