Milhares protestam contra medidas do governo em Portugal

Governo português lançou pacote de austeridade com cortes de gastos e aumentos de impostos.

Jair Rattner, BBC

29 Maio 2010 | 18h24

Mais de 200 mil pessoas participaram neste sábado em Lisboa de uma passeata contra as medidas de austeridade do governo português convocada pela maior central sindical do país, a Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP). A manifestação terminou com a ameaça de uma greve geral.

Foi o primeiro grande protesto desde o anúncio do pacote de medidas criado para restaurar a confiança dos mercados e evitar que Portugal fosse vítima de um ataque especulativo semelhante ao que atingiu a Grécia.

Entre as medidas estão a retirada de todas as iniciativas de apoio à economia adotadas depois da crise imobiliária americana, redução do seguro-desemprego, diminuição dos gastos com a renda mínima, aumento de impostos, congelamento de admissões, de salários e de promoções dos funcionários públicos, entre outras. O governo prevê reduzir o déficit de 9,4% do PIB em 2009 para 2,8% em 2013.

Na manifestação, o líder da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, afirmou que não foram os trabalhadores os que criaram a crise e que são eles que vão ter que pagar.

O sindicalista propôs, em vez de cortar nos gastos, combater a evasão fiscal e a fraude nos impostos para obter mais receitas. Ele ameaçou com uma greve geral caso não fossem retiradas as medidas.

Tom mais duro

A segunda central sindical portuguesa, a União Geral dos Trabalhadores, mesmo não tendo participado no protesto, endureceu o tom em relação ao governo. Comentando a manifestação, o secretário-geral da UGT, João Proença, disse que não podem ser exigidos mais sacrifícios aos trabalhadores, mas descartou convocar uma greve geral.

Da parte do governo, a resposta foi um apelo ao diálogo. "Somos pela concertação, não pela contestação", afirmou a ministra do Trabalho, Helena André.

"O objetivo agora é restaurar a confiança internacional na República Portuguesa", disse, defendendo as medidas do governo.

A economia portuguesa estava sob ataque, depois de a avaliação da dívida do país ter sido rebaixada dois níveis no final de abril pela Standard & Poor's que considerou que o país teria dificuldade em honrar as dívidas, caso continuasse a gastar mais do que recolhe.

Previsto para durar até o final de 2011, o pacote aumenta impostos e corta despesas. Para pessoas que recebem mais de 100 mil euros por ano, a alíquota do imposto de renda também foi elevada, de 40% para 45%.

No tocante às empresas, aquelas que tiverem lucros superiores a 2 milhões de euros terão de pagar mais 2,5% de imposto.

Outro tributo, o imposto sobre o crédito ao consumo, também será aumentado, no que Sócrates afirmou ser "um sinal claro no sentido de fazer um apelo à poupança".

Outra medida, que o primeiro-ministro considerou simbólica, foi a de reduzir 5% as remunerações dos políticos e administradores públicos.

Antes de serem anunciadas, as medidas foram negociadas com o principal partido da oposição, o PSD, de centro-direita. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.