EFE/Alberto Estévez
EFE/Alberto Estévez

Milhares protestam em Barcelona por libertação de cúpula separatista

Cerca de 315 mil pessoas, segundo estimativa da polícia catalã, foram às ruas de Barcelona pedir diálogo; líderes da fracassada independência catalã no ano passado são acusados de rebelião e podem ser condenados a até 30 anos de prisão

O Estado de S.Paulo

15 Abril 2018 | 17h33

BARCELONA - Cerca de 315 mil pessoas, segundo estimativa da polícia catalã, protestaram neste domingo, 15, em Barcelona contra a detenção, há seis meses, de nove líderes do movimento separatista e pediram um diálogo político e a libertação dos independentistas.

Manifestantes bloqueiam estradas na Catalunha em protesto à prisão de Puigdemont

"Liberdade para os prisioneiros políticos", gritavam milhares de manifestantes em passeata pela Avenida del Paralelo, em apoio aos separatistas em prisão preventiva por seu papel na tentativa fracassada de independência do ano passado.

Eles são acusados de rebelião, crime punível com até 30 anos de prisão. Alguns também foram indiciados por mau uso de fundos públicos por organizarem o referendo ilegal sobre a independência da região em 1º de outubro.

"Como eles não podem acabar com o movimento de independência, tentam fazer isso judicialmente", disse à Roser Urgelles, uma professora de 59 anos. Como ela, milhares de manifestantes usavam uma fita amarela, símbolo de solidariedade com separatistas presos.

Milhares de manifestantes protestam em Barcelona contra a detenção de Puigdemont

A convocação da mobilização foi lançada por uma plataforma criada em março para "defender as instituições catalãs" e "os direitos e liberdades fundamentais". O evento conta com o apoio dos dois maiores sindicatos do país, Comisiones Obreras (CCOO) e UGT.

A mobilização acontece dez dias após a libertação sob fiança do ex-presidente regional separatista Carles Puigdemont na Alemanha. O tribunal competente considerou que a acusação de rebelião alegada pela justiça espanhola não se justificava.

A decisão foi um golpe para o judiciário espanhol e, na quinta-feira, promotores do país forneceram elementos adicionais aos seus colegas alemães para fundamentar a acusação. Além de rebelião, Puigdemont é acusado de mau uso de fundos públicos, em conexão com a organização do referendo separatista.

Os primeiros a serem enviados para a prisão preventiva, em uma penitenciária perto de Madri, foram o ex-presidente da organização separatista ANC Jordi Sánchez e o líder da Òmnium Jordi Cuixart em 16 de outubro.

Em mensagens a deputado, Puigdemont reconhece que processo de independência ‘terminou’

Sánchez sofre processo por discursar a dezenas de milhares de independentistas que, durante uma manifestação em Barcelona em 20 de setembro, mantiveram um grupo de guardas civis encurralados por horas enquanto revistavam um prédio do Executivo catalão por ordem judicial.

Eleito deputado regional em 21 de dezembro, ele se apresentou duas vezes como candidato a governador regional da Catalunha, mas em ambas as vezes a justiça rejeitou seu pedido.

A Catalunha está sob a tutela do governo central e sem Executivo regional desde 27 de outubro, quando o gabinete do então governador Carles Puigdemont foi dissolvido após a declaração unilateral de independência feita no Parlamento catalão.

Os independentistas renovaram a maioria de assentos no Parlamento nas eleições regionais de 21 de dezembro, mas não conseguiram empossar um governador. Se um novo governador não tomar posse até 22 de maio, novas eleições regionais serão convocadas. / AFP e REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.