PAU BARRENA/AFP
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Milhares vão às ruas por independência da Catalunha 

Soberanistas dão demonstração de força a três semanas do plebiscito convocado para decidir se a região de Barcelona deve ou não se tornar independente da Espanha

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2017 | 20h35

Centenas de milhares de catalães tomaram as ruas de Barcelona nesta segunda-feira, 11, em apoio à causa soberanista, em uma última grande demonstração de força em favor do plebiscito sobre a independência da Catalunha, que será realizado no dia 1º, contra a vontade de Madri. A votação é considerada ilegal pelo primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, o que agrava a insatisfação dos soberanistas e reforçou o desfile de Diada, a festa nacional catalã.

A passeata foi realizada pelas principais ruas e avenidas do centro de Barcelona, e terminou em um ato apoteótico na Praça da Catalunha, coração da metrópole. De acordo com as autoridades regionais – pró-independência –, mais de um milhão de pessoas teriam desfilado ao longo de todo o dia com bandeiras senyera estelada, em vermelho, amarelo e azul, entoando gritos de ordem como "Adeus, Espanha!" e "Independência, nós votaremos!". Segundo cálculos realizados pelo jornal El País, a multidão seria menor, mas ainda assim impressionante: 500 mil.

A festa de Diada é uma tradição local, celebrada todos os anos em 11 de setembro. Mas desde que o movimento independentista ganhou força, a data vem sendo usada para demonstrar a mobilização do eleitorado local pela causa da soberania. Pesquisas indicam que cerca de 50% dos 7,5 milhões de catalães são favoráveis à autonomia completa e ao rompimento de laços com Madri.

Segundo o presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, a manifestação reforça a necessidade de realização do plebiscito, que segundo ele será sucedido de uma declaração de independência unilateral em relação à Espanha em caso de vitória do "Sim". "Não é uma opção para nós que não se realize o plebiscito", afirmou líder separatista, argumentando: "Restam 20 dias e a mobilização que motivou esse processo continua intacta ".

Puigdemont jogou a culpa do impasse político sobre Mariano Rajoy, que segundo ele não quis negociar os termos do plebiscito, preferindo lançar uma luta nas cortes de Justiça – incluindo o Tribunal Constitucional, mais alta instância do País – contra a decisão das lideranças catalãs. "Essa é a única possibilidade que o Executivo e o Parlamento (catalães) pudemos oferecer", sustentou à imprensa estrangeira.

Determinado a evitar que a Catalunha realize o plebiscito, Mariano Rajoy adotou um tom diplomático desejando via sua conta oficial no Twitter uma "Diada de liberdade, coabitação e respeito para todos os catalães". No sábado, entretanto, o tom foi outro, mais beligerante. "Não haverá plebiscito e eu farei tudo o que for necessário para isso, porque é a minha obrigação preservar a unidade nacional", alegou o premiê.

A questão catalã não apenas move os partidários da independência na região de Barcelona, mas também divide cada vez mais os líderes políticos em Madri. Pedro Sanchez, secretário-geral do Partido Socialista (PSOE), o maior da oposição, vem propondo nas últimas semanas a criação de uma assembleia constituinte para revisar a Constituição e transformar a Espanha em uma federação de Estados – o que garantiria um grau de autonomia maior não apenas à Catalunha, responsável por 20% do PIB espanhol, mas também ao País Basco e à Galícia. A proposta revoltou líderes políticos da Andaluzia, que reivindicariam o mesmo status políticos.

 

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