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Primavera Árabe

Milícia acusa Egito de ataques aéreo na Líbia

Estadão Conteúdo

23 Agosto 2014 | 19h 49

Um alto líder de milícia da Líbia acusou o Egito e os Emirados Árabes Unidos de estarem por trás dos dois ataques aéreos registrados neste sábado e que tinham como alvo posições da milícia islâmica em Trípoli, capital do país. Os ataques mataram 15 combatentes e feriram outros 30.

Foi a segunda vez na semana que ataques aéreos atingiram postos da milícia islâmica em Trípoli. Essas ações têm alimentado especulações de que potências estrangeiras estão secretamente intervindo na violência das milícias da Líbia. Isso porque a Força Aérea da Líbia não possui os equipamentos guiados aparentemente usados nos ataques, e o exército do país está sofrendo há semanas com intensos combates.

Um líder da milícia disse que os ataques deste sábado atingiram o Ministério do Interior e várias posições da milícia, incendiando um armazém. Ele afirmou que dois filhos do chefe do conselho militar das milícias Misrata, Ibrahim Bin Rajab, estavam entre os feridos.

Um outro membro da milícia, o porta-voz Mohammed al-Gharyani, disse que mais de 30 combatentes ficaram feridos nos ataques, mas que a milícia não abandonou suas posições, incluindo o Ministério do Interior, as sedes do exército e da polícia militar. Segundo ele, os combatentes em outras regiões e cidades estavam se unindo às forças Misrata e "a resposta será severa".

Um alto líder da milícia, Ahmed Hadiya, acusou o Egito e os Emirados Árabes de envolvimento nos ataques, sem dar detalhes. Segundo ele, as milícias se reservam o direito de retaliar.

Egito e Emirados Árabes não comentaram a acusação. Anteriormente, o Egito já havia negado o envolvimento militar na Líbia. Outros países, como a vizinha Argélia e a Itália, também negaram envolvimento na ação. O governo da Líbia solicitou a investigação dos ataques.

Hadiya disse que as milícias "apelam ao parlamento, para reunir-se com urgência para tomar as medidas necessárias para proteger a soberania do Estado".

A Líbia está testemunhando sua pior onda de violência desde que Muammar Kadafi foi deposto em 2011. Muitas das brigadas rebeldes que ajudaram a derrubar o ditador se tornaram milícias poderosas e fortemente armadas. A violência também aumentou como parte de uma reação de facções islâmicas, depois de perderem seu poder no parlamento, após as eleições de junho.

Fonte: Associated Press.

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