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Militantes do Taliban atacam aeroporto de Karachi pela segunda vez

SYED RAZA HASSAN - REUTERS

10 Junho 2014 | 11h 17

Insurgentes do Taliban paquistanês assumiram a responsabilidade por um ataque contra uma academia das forças de segurança do aeroporto de Karachi nesta terça-feira, menos de 48 horas após homens armados do grupo terem cercado o aeroporto mais movimentado do Paquistão, numa investida que resultou na morte de mais de 30 pessoas.

O ataque na noite de domingo destruiu as perspectivas de negociação de paz entre o Taliban e o governo do primeiro-ministro Nawaz Sharif e fez surgirem especulações de que o Exército deve optar por uma ofensiva contra redutos de militantes.

Nesta terça-feira um grupo de homens armados em motocicletas abriu fogo contra a academia controlada pela Força de Segurança de Aeroportos e fugiu depois que os agentes retaliaram. Ninguém ficou ferido, segundo as autoridades.

"Nós assumimos a responsabilidade por outro ataque bem-sucedido contra o governo", disse o porta-voz do Taleban paquistanês Shahidullah Shahid à Reuters. "Estamos conseguindo atingir todas as nossas metas e vamos continuar com muitos outros ataques desse tipo."

Dez militantes disfarçados de membros das forças de segurança e armados com lança-granadas invadiram o aeroporto no primeiro ataque, no domingo, um dos mais ousados da longa insurgência do Taliban. Pelo menos 34 pessoas morreram.

Refletindo uma atmosfera de nervosismo, o aeroporto de Karachi suspendeu todos os voos dentro e fora da cidade de 18 milhões pela segunda vez em dois dias, embora a maioria dos voos tenham sido retomados por volta das 06:30 (horário de Brasília).

Mais cedo, na terça-feira, aviões de combate paquistaneses bombardearam posições do Taliban na fronteira afegã.

"Nove esconderijos terroristas foram destruídos por ataques aéreos militares de manhã cedo, perto da fronteira entre Paquistão e Afeganistão", informou o setor de imprensa do Exército, acrescentando que 25 militantes foram mortos.

O Taliban paquistanês está aliado com os militantes afegãos com o mesmo nome e amos compartilham uma ideologia jihadista semelhante.

Os dois, no entanto, atuam como movimentos separados, focados inteiramente em derrubar o Estado paquistanês e estabelecer a estrita lei islâmica no país, enquanto o Taliban afegão está unido em sua campanha contra as forças invasoras estrangeiras.