Militar alemão renuncia por ocultar morte de afegãos

O principal militar da Alemanha deixou o cargo hoje em razão de não ter divulgado a líderes políticos informações adequadas sobre um ataque aéreo no Afeganistão, em setembro, no qual civis foram mortos. A informação foi dada pelo novo ministro da Defesa alemão, Karl-Theodor Zu Guttenberg. O ministro disse ao Parlamento que o general Wolfgang Schneiderhan, comandante do Estado-Maior do Exército - cargo que no país é chamado de Inspetor-Geral -, afastou-se do posto. Peter Wichert, que era vice-ministro na época do ataque, também pediu demissão.

AE-AP, Agencia Estado

26 Novembro 2009 | 12h21

O jornal "Bild" publicou o que afirmou ser vídeos confidenciais do incidente. O diário disse que as imagens mostravam o que provavelmente era a morte de civis. Alegou ainda que as fitas estavam em poder dos militares da Alemanha. O ministro Franz Josef Jung insistia que não havia vítimas civis no caso. Guttenberg afirmou, porém, que Jung não havia visto os vídeos, e que ele mesmo só viu as imagens ontem. Jung é agora ministro do Trabalho.

Um coronel alemão solicitou um ataque aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra dois caminhões-tanque que poderiam ter sido capturados por insurgentes do Taleban perto de Kunduz, temendo que eles pudessem ser usados para atacar as tropas. Trinta civis e 69 membros do Taleban armados morreram no ataque, segundo uma investigação da comissão presidencial afegã.

Ainda neste mês, Guttenberg disse que um relatório secreto da Otan concluiu que houve "erros de procedimento" no ataque aéreo de 4 de setembro. Ele, no entanto, defendeu a decisão do coronel de pedir o ataque como "apropriada em termos militares". Na época, Guttenberg afirmou que acreditava na existência de vítimas civis, baseado em um relatório da Otan.

A Alemanha possui 4 mil soldados no norte afegão e já perdeu 36 deles na missão. Guttenberg assumiu uma abordagem franca sobre a impopular missão alemã no Afeganistão, desde que assumiu como ministro, após as eleições de setembro. Ele reconheceu que a situação em partes do Afeganistão é "similar à guerra" - uma descrição sempre evitada por Jung.

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