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Militar ex-companheiro de Chávez diz que Maduro deve renunciar

O Estado de S. Paulo

03 Julho 2014 | 08h 59

Comandante Acosta afirma que governo segue medidas castristas e presidente precisa sair antes de levar país a uma situação 'terrível'

CARACAS - O comandante aposentado Yoel Acosta Chirinos, companheiro do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez durante a tentativa de golpe de 1992, disse que o atual presidente, Nicolás Maduro, deve renunciar antes que seu governo leve o país a uma situação "terrível".

"O presidente deve renunciar para permitir uma saída a essa crise tremenda, acredito que é necessário consultar o povo, que deseja isso, ou vamos continuar com essa tragédia que nos leva a uma situação terrível", afirmou Acosta na quarta-feira 2.

O militar disse ter votado em Maduro na eleição de 2013, mas se decepcionou. "O governo não foi capaz de fazer o Estado funcionar. É hora de (Maduro) pensar em deixar o governo."

Ao lado de Chávez e outros militares, Acosta fundou o Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR200), que impulcionou a tentativa de golpe contra o então presidente, Carlos Andrés Peréz, em 1992. "Até quando vamos continuar martirizando esse povo que espera que um governo eficiente responda às suas maiores necessidades", afirmou.

Acosta, que diversas vezes se distanciou do chavismo, acredita que se Maduro não renunciar, haverá uma "catástrofe social na Venezuela" em razão do enfrentamento entre as Forças Armadas e as "máfias políticas e financeiras" que, segundo ele, integram o governo.

Para o militar, o problema está no programa de governo de Maduro ao tomar medidas "castristas". "O problema é que não somos socialistas, nem revolucionários, nem bolivarianos, estamos adotando medidas castristas ou uma atitude guevarista". Acosta chegou a se candidatar para a eleição presidencial em 2012, mas retirou a candidatura e apoiou Chávez. / EFE