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Internacional

Henry Ramos Allup

Militares venezuelanos criticam retirada de retratos de Bolívar e Chávez da Assembleia

Força Armada Nacional Bolivariana considerou decisão do presidente do Legislativo, Henry Ramos Allup, 'desrespeitosa, carregada de soberba e desprezo' disse o ministro da defesa Vladimir Padrino

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O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2016 | 11h26

CARACAS - A Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) expressou na noite de quinta-feira sua "profunda indignação" pelo "ultraje" da retirada dos retratos de Simón Bolívar e Hugo Chávez da sede da Assembleia Nacional da Venezuela ordenada pelo presidente do Legislativo, agora de maioria opositora, Henry Ramos Allup.

"A FANB, em inquebrantável unidade e consciente do momento histórico que vive nosso país, expressa a todo o povo bolivariano sua profunda indignação pela forma desrespeitosa, carregada de soberba e desprezo, com que se ordenou retirar as imagens", disse o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, que leu um comunicado das forças armadas.

Em um ato de desagravo no Quartel da Montanha, em Caracas, onde repousam os restos de Chávez, Padrino considerou, acompanhado de dezenas de chefes militares e soldados, além de representantes do governo, "um ultraje à FANB, à honra militar e à pátria toda" a retirada das imagens.

O ministro disse, ao ler o comunicado, que Simón Bolívar é o "pai da pátria" que representa "um símbolo sagrado" para os venezuelanos e seus retratos "foram e serão sempre objeto de admiração e respeito".

Além disso, o comunicado da FANB ressalta que "o comandante supremo Hugo Chávez é um filho insigne desta nação" que teve como base "o ideário e a ação de Bolívar" e "empreendeu a colossal tarefa de transformar os destinos do país para resgatar um povo oprimido por uma oligarquia".

A FANB também destacou que o presidente Nicolás Maduro "é a máxima autoridade do Estado, eleito pelo voto popular, que enfrentando complexos obstáculos, adversidades de todo tipo, e seguindo os indeléveis passos de Bolívar, hoje lidera acertadamente a consecução dos mais elevados interesses do país".

O prefeito do município de Libertador, cuja capital é Caracas, Jorge Rodríguez, ordenou mais cedo que se instalasse imagens de Bolívar e de Chávez nas ruas da cidade em desagravo a uma decisão de Ramos Allup de retirar suas imagens da sede do Legislativo.

O presidente da Assembleia Nacional defendeu na quinta sua decisão de retirar as imagens do falecido líder da chamada revolução bolivariana, e de seu sucessor, por considerá-las um "abuso" contra a independência do Poder Legislativo.

O novo presidente do Parlamento ressaltou que a instrução de retirar as imagens do herói abrangia apenas aquelas que se tratam de uma simulação do rosto de Bolívar, produto de um estudo ordenado por Chávez, através da análise dos ossos do personagem histórico, mas não afetava as pinturas originais do libertador.

Com esta decisão "o que houve é uma reparação ou substituição de um abuso porque, reitero, enquanto eu for presidente da Assembleia Nacional, o único retrato que vai haver é o retrato original de Simón Bolívar, não a cópia falsificada feita por um computador", afirmou Ramos Allup. / EFE

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