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Ministro de Relações Exteriores será o novo premiê da Turquia

O Estado de S. Paulo

21 Agosto 2014 | 14h 44

Ahmet Davutoglu também será o novo líder do partido AKP; atual ministro é um dos colaboradores mais leais a Erdogan

ANCARA - O partido governante na Turquia, o islamita Justiça e Desenvolvimento (AKP), anunciou nesta quinta-feira, 21, que seu novo líder e próximo primeiro-ministro do país será o atual ministro das Relações Exteriores, Ahmet Davutoglu.

"O candidato para presidir o partido é o ministro das Relações Exteriores Ahmet Davutoglu", declarou à imprensa o atual premiê, Recep Tayyip Erdogan, após uma reunião do comitê executivo do AKP.

Erdogan, eleito presidente no domingo 10, assumirá o cargo de chefe de Estado no dia 28. Com isso, Davutoglu se tornará seu sucessor à frente do governo.

A decisão do comitê executivo do AKP ainda deve ser ratificada em um congresso extraordinário da legenda no dia 27. "Se ele se tornar presidente do partido, com os votos dos delegados, será também primeiro-ministro", declarou Erdogan.

Davutoglu, que concedeu entrevista com Erdogan em Ancara, disse que se for o primeiro-ministro, haverá continuidade no governo. "Ninguém deve duvidar que vamos seguir nosso caminho", afirmou, citando progressos econômicos e sociais nos últimos 12 anos de governo do AKP.

O provável novo premiê é considerado um dos colaboradores mais leais a Erdogan e foi seu principal assessor sobre política externa antes de assumir o posto de ministro das Relações Exteriores em 2009.

Como ministro, Davutoglu foi o principal promotor da nova política internacional da Turquia, que visa aumentar sua influência como potência regional no Oriente Médio, na Ásia Central e no norte da África.

Essa visão, qualificada frequentemente por seus críticos como "neo-otomana", é criticada por afastar o país de sua tradicional aliança com países do Ocidente e suas aspirações de entrada na União Europeia, embora Davutoglu sempre tenha negado esse distanciamento.

Meios de comunicação críticos ao governo alegam que, com Davutoglu como primeiro-ministro, nada vai mudar na política turca porque Erdogan continuará controlando o governo a partir da presidência.

Kemal Kiliçdaroglu, presidente do principal partido da oposição, o social-democrata CHP, afirmou na quarta ao jornal Yurt que Davutoglu será "uma marionete de primeiro-ministro".

Erdogan prometeu exercer uma presidência ativa e romper com o tradicional papel cerimonial de chefe de Estado, utilizando todas as funções do cargo, como a possibilidade de convocar as reuniões do gabinete de ministros. / EFE

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