REUTERS/Claudia Daut
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Ministro do Interior de Cuba renuncia ao cargo por questões de saúde

O general Abelardo Colomé, que estava no ministério desde 1989, será substituído pelo general-de-divisão Carlos Fernández Gondín, integrante do Comitê Central do Partido Comunista (PCC)

O Estado de S. Paulo

27 Outubro 2015 | 08h26

HAVANA - O Conselho de Estado de Cuba aprovou a renúncia apresentada pelo ministro do Interior da ilha, Abelardo Colomé, que estava no cargo desde 1989 e o deixa por motivos de saúde, informou o governo cubano por meio de uma nota oficial divulgada na segunda-feira por uma emissora de televisão estatal.

Colomé, de 76 anos, general do Exército e Herói da República de Cuba, será substituído pelo general-de-divisão Carlos Fernández Gondín, integrante do Comitê Central do Partido Comunista (PCC) e vice-ministro do Ministério do Interior.

Além disso, o Conselho de Estado decidiu condecorar Abelardo Colomé com a Ordem pelo Serviço à Pátria de primeiro grau "em consideração a sua extensa trajetória revolucionária", segundo a nota oficial.

Em carta enviada a Raúl Castro, na qual apresenta sua renúncia, Colomé lembra que dedicou 60 de seus 76 anos à Revolução Cubana. Ele diz ainda que seguirá sendo "um soldado a serviço dela e um militante do Partido Comunista" enquanto estiver vivo.

“Nos últimos tempos tenho percebido que minha saúde já não é a mesma e me sinto no dever de apresentar uma renúncia formal aos altos cargos políticos, estatais, governamentais e militares”, acrescentou.

Nascido em Santiago de Cuba no dia 13 de setembro de 1939, o general é uma das figuras históricas da Revolução Cubana e um dos colaboradores mais próximos de Raúl Castro.

Em 1957, Colomé se incorporou aos rebeldes em Sierra Maestra que, liderados por Fidel Castro, lutaram contra o ditador Fulgencio Batista e integrou a 2ª Frente Oriental, liderada por Raúl Castro, de quem Colomé chegou a ser chefe de segurança na época.

Ele também foi escolhido para apoiar os planos do comandante Ernesto “Che” Guevara no desenvolvimento de grupos guerrilheiros na América do Sul.

Membro do Birô Político do PCC desde 1986, Colomé foi responsável por assumir e reformar o Ministério do Interior em 1989, após um escândalo de corrupção envolvendo o antigo titular do cargo, o general José Abrahantes.

Esteve ainda em Angola, onde Cuba implantou tropas que contribuíram para o final do apartheid, sistema de segregação racial que predominou na África do Sul e na Namíbia até a década de 1980.

Além da renúncia e da designação do novo ministro, o Conselho de Estado cubano nomeou como vice-ministro do Ministério do Interior o vice-almirante Julio César Gandarilla Rojo, atual chefe de contrainteligência militar, também membro do Comitê Central do PCC. /EFE e ASSOCIATED PRESS

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