REUTERS/Mike Hutchings
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Ministros não comparecem a reunião de gabinete convocada por Mugabe

Líderes da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF), partido de Mugabe, pediram que membros do gabinete não participassem da reunião, prevista para horas antes de o Parlamento iniciar trâmites de uma moção de censura

O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 11h20

HARARE - O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, convocou para esta terça-feira, 21, uma reunião de seu gabinete de governo, mas nenhum de seus ministros compareceu, informou o jornal estatal zimbabuano The Herald.

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Estava previsto que o gabinete se reunisse algumas horas antes que o partido de Mugabe, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF, na sigla em inglês), iniciasse os trâmites para submetê-lo a uma moção de censura no Parlamento.

Nesse sentido, os líderes do partido pediram aos membros do gabinete a que não comparecessem à convocação do presidente.

Sem apoio popular, com o seu próprio partido contra e confinado pelos militares há quase uma semana, Mugabe, de 93 anos, resiste em deixar o poder que ostenta desde 1980.

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Na manhã desta terça, o principal candidato a substitui-lo, o ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa, se juntou às vozes que pedem sua renúncia, mas afirmou que não vai retornar ao país até que sua segurança pessoal esteja garantida.

Para o ex-vice-presidente, Mugabe tem duas opções: "cooperar" e assim garantir seu "legado" ou enfrentar o povo e correr o risco de sofrer uma "humilhação".

O antigo "número 2" do governo já foi nomeado como líder provisório do ZANU-PF, em substituição de Mugabe, e será candidato às eleições presidenciais de 2018.

Em um pronunciamento de imprensa na noite de segunda-feira, o chefe das forças armadas, Constantine Chiwenga, garantiu que Mugabe e Mnangagwa já mantiveram contato e o ditador traçou um "roteiro e uma solução definitiva para o país".

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Precisamente a destituição há duas semanas de Mnangagwa - uma figura incondicional do partido e veterano de guerra a quem se opunha a esposa de Mugabe, Grace - que aspirava ocupar a vice-presidência - é considerado o estopim da crise que vive o país.

Só uma semana depois da sua saída do governo, os comandantes do alto escalão das forças armadas anunciaram que tomariam "medidas corretivas" se os "expurgos" no partido continuassem.

No dia seguinte, os tanques marchavam em direção à capital Harare e assumiram com o controle do Zimbábue, e colocaram Mugabe e sua família em prisão domiciliar.

O ex-vice-presidente recorreu ao exílio após garantir que tinha recebido ameaças de morte, mas advertiu: "Em breve controlaremos as engrenagens do poder no nosso belo partido e país". / EFE

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