Aos 90 anos, morre Fidel Castro

Aos 90 anos, morre Fidel Castro

Líder da Revolução Cubana e ditador da ilha faleceu na noite de sexta-feira, em Havana; notícia foi anunciada em comunicado televisivo, pelo irmão do ex-ditador, Raúl Castro, atual líder cubano

Redação Estadão, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2016 | 05h30

Morreu na noite de sexta-feira, 25, aos 90 anos, o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro. O anúncio da morte foi feito pelo seu irmão, o presidente de Cuba, Raúl Castro, na TV estatal. O corpo de Fidel será cremado e foi decretado luto oficial de 9 dias em todo o país, período que deve se encerrar com o funeral, no dia 4 de dezembro.

Atividades públicas e eventos foram cancelados, e a bandeira cubana será colocada a meio mastro. O Conselho de Estado afirmou que rádio e televisão que manterão uma programação "informativa, patriótica e histórica". 

Líderes de Bolívia, Venezuela e Rússia, entre outros países, lamentaram a morte do líder comunista, um dos principais personagens históricos do século 20. Fidel morreu no mesmo dia em que o barco Granma saiu do México com um pequeno grupo de guerrilheiros rumo a Cuba para dar início à Revolução Cubana, em 1957. 

'Às 22h29 morreu o comandante e chefe da Revolução Cubana, Fidel Castro', anunciou Raúl Castro na mensagem televisionada.

Figura lendária do século XX, Fidel Castro se projeto uao mundo a partir da pequena ilha de Cuba, onde exerceu o poder absoluto, que passou ao irmão, Raúl Castro, em 31 de julho de 2006, quando sofreu uma grave enfermidade instestinal.

Renúncia. Em fevereiro de 2008, Castro renunciou definitivamente à presidência de Cuba e quase três anos depois, em abril de 2011, se desligou definitivamente da liderança do Partido Comunista (único).

 

Sua doença e saída do poder abriram uma nova etapa da história cubana, com perspectivas de mudanças econômicas, ainda que não políticas, sob o comando de Raúl. Cinco anos mais novo, o novo presidente se esforçou em reformar o ineficiente modelo socialista inspirado na antiga União Soviética, instaurado depois da revolução, em 1959. 

 

Apoiado pela velha guarda do PC cubano e pelos militares,  coube a Raúl, que chefiou o Exército entre 1959 e 2008, preparar a transição da velha guarda da revolução para uma nova geração e vencer a resistência a reformas, além de transformar em coletivo um governo marcado pelo personalismo do irmão. 

No ocaso de sua vida, Fidel conseguiu o que parecia impossível: o fim do antagonismo por meio século, fruto da aproximação entre Raúl e o presidente Barack Obama. O acordo foi anunciado ao mundo em 17 de dezembro de 2014.  Os laços diplomáticos foram restabelecidos em 20 de julho de 2015, encerrando o último capítulo da Guerra Fria no hemisfério ocidental. 

Obama justificou a mudança drástica em relação a Cuba com o argumento de que o isolamento da ilha acabou isolando os Estados Unidos do resto do continente. Ele pediu ao Congresso que retire o embargo econômico, em vigor desde os anos 60.

 

Legado. Fidel chegou a ser o governante em exercício por mais tempo no mundo. Sob seu comando, nasceram 70% dos 11 milhões de cubanos, que, desde 2006, se acostumaram gradativamente a seu afastamento da cena pública. 

Ao instalar um regime comunista a 150 km dos Estados Unidos, o líder cubano despertou amores e ódios: foi considerado por alguns um símbolo da soberania e dignidade latino-americanas, de solidariedade e justiça social. Por outros, um ditador megalomaníaco e cruel. 

Seus críticos o acusam de ter formado um sistema totalitário, repressor e fracassado economicamente. Os admiradores destacam os níveis sociais de Cuba, com saúde e educação de primeiro mundo. 

Último dos protagonistas da Guerra Fria, em particular em seu momento mais tenso - a crise dos mísseis de 1962 -, Fidel liderou um movimento revolucionário que influenciou todo um continente. Na América Latina, milhares de pessoas pegaram em armas inspirados na Revolução Cubana contra regimes militares apoiados pelos Estados Unidos. 

 Com o fim do regime soviético, em 1991, Fidel viu Cuba viver a "década especial", sem recursos e com uma grave crise econômica. Na década seguinte, no entanto, forjou uma aliança com o presidente venezuelano, Hugo Chávez. Uma série de acordos bilaterais de troca de petróleo por serviços médicos amenizaram a crise.  A morte abrupta de Chávez, em 2013, fez com que Cuba mais uma vez se preocupasse com o futuro. Raúl, então, se aproximou dos Estados Unidos. 

Nos primeiros anos após a doença intestinal que o afastou da vida pública, Fidel apareceu em fotos e vídeos em trajes esportivos e em colunas na imprensa cubana. Ao se recuperar, voltou a aparecer em público a partir de 2010. Sua última aparição foi em seu aniversário de 89 anos, em agosto do ano passado, quando se reuniu com os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Venezuela, Nicolás Maduro. 

Fidel nasceu em 13 de agosto de 1926 em Birán, no leste de Cuba, filho de um imigrante espanhol e uma cubana humilde. Chegou ao poder ao derrotar a ditadura de Fulgêncio Batista, após uma guerrilha que lutou por dois anos e um mês na Sierra Maestra. 

Enfrentou 11 presidentes americanos, a Invasão da Baía dos Porcos pela CIA em 1961, a crise  dos mísseis,  e ao embargo. Sobreviveu também à queda do Muro de Berlim e à desintegração da União Soviética.  Em seu governo, mais de um milhão e meio de cubanos fugiram de Cuba para os EUA por razões ideológicas e econômicas.  / AFP, AP e EFE

 

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